Em minhas conversas com pacientes e familiares, notei que, por trás do diagnóstico de câncer, surge uma necessidade urgente que vai muito além dos tratamentos médicos: é o apoio emocional. A presença de amigos pode se tornar um verdadeiro porto seguro. Mas como, afinal, podemos apoiar alguém tão próximo numa situação que impõe tanto medo, incertezas e mudanças?
Um abraço, um silêncio cúmplice ou um café compartilhado podem ser mais terapêuticos que mil palavras.
Entendendo o impacto do câncer
O câncer, além dos sintomas físicos e dos desafios do tratamento, traz impactos enormes no cotidiano e nas emoções. Já li diversas vezes relatos de pessoas que enfrentam a doença e sentem falta de compreensão à sua volta. O próprio Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostra como o câncer é uma das principais causas de mortalidade no Brasil, ressaltando a força desse desafio.
Outro dado relevante, trazido por pesquisa do INCA, aponta que 41% dos pacientes possuem ensino fundamental incompleto, e 14% não têm instrução formal. Isso dificulta a compreensão do diagnóstico e reduz as chances de cura, além de reforçar a confusão emocional em torno da doença.
Apoio emocional: mais do que conforto
Em minha experiência convivendo com pacientes da Dra. Nayara Zortea Lima, percebi que o apoio emocional não é uma "gentileza extra", mas peça fundamental do tratamento.
O apoio emocional ajuda o paciente a lidar com o medo, a incerteza, e até mesmo a dor física.
Senti, tantas vezes, que pequenos gestos mudam o clima do consultório, trazendo alívio em dias difíceis.
Estudos do Ministério da Saúde destacam que essa rede de suporte humano, vinda de amigos e familiares, pode melhorar de forma significativa a qualidade de vida das pessoas diagnosticadas com câncer.
Por que a amizade importa tanto?
Acredito que, na maioria das vezes, a amizade é um refúgio do peso do tratamento. Conversando com pacientes, percebo que a simples presença amiga transforma tempo de espera em oportunidade de afeto.
- Um amigo é alguém com quem se pode rir, dividir memórias boas, relembrar quem se é para além da doença.
- Ele também se torna companhia nos dias difíceis, segurando a mão, até literalmente.
- Muitas vezes, o paciente sente que não precisa ser "forte" diante do amigo.
Já notei que quando um paciente se sente acolhido, ele demonstra mais disposição e confiança para enfrentar os próximos passos do tratamento, como reforça a Secretaria da Saúde do Paraná.
Os desafios emocionais do câncer
Tenho visto que o câncer pode provocar sintomas semelhantes ao transtorno de estresse pós-traumático. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia relata como os desafios emocionais podem ser enormes.
- Medo do desconhecido: muitos pacientes entram em pânico com a palavra “câncer”. A incerteza sobre o futuro é pesada.
- Solidão: mesmo rodeados de pessoas, podem sentir-se isolados por acharem que ninguém entende realmente seu sofrimento.
- Culpa e tristeza: é frequente perceberem-se como fardos para quem amam, mesmo que esse não seja o caso.
Esses sentimentos podem surgir inesperadamente e voltar durante o tratamento, em especial quando os amigos se afastam por não saber como agir.
Como amigos podem apoiar de verdade?
A maioria das pessoas quer ajudar, mas não sabe exatamente como. Eu mesma, em situações pessoais, já hesitei antes de mandar uma mensagem, receosa de invadir ou dizer algo errado.
O apoio começa pela escuta ativa e pelo respeito ao espaço do outro.
- Ouvir sem julgar: às vezes, só ouvir um desabafo sem tentar resolver já significa muito.
- Respeitar o silêncio: nem sempre o paciente quer falar sobre a doença. Falar de trivialidades também é bem-vindo.
- Oferecer ajuda prática: pode ser um almoço, uma ida ao médico, cuidar de tarefas domésticas.
- Lembrar dos gostos e interesses: o câncer não precisa ser o único assunto.
- Reconhecer limites: cada pessoa reage de forma diferente; respeite o ritmo do amigo.
Faço questão de ressaltar aos familiares dos pacientes que a ajuda prática costuma ser muito valiosa, pois, na correria do tratamento, tarefas comuns tornam-se difíceis.
Pequenos gestos, grande diferença
Tenho visto isso acontecer muitas vezes: a pessoa chega desanimada à consulta, mas, ao encontrar uma amiga na recepção, se ilumina. São gestos simples, como:
- Mandar uma mensagem perguntando como foi o dia (sem cobrar resposta);
- Oferecer-se para ir junto às consultas;
- Levar um mimo, como um livro ou a sobremesa favorita;
- Perguntar do que a pessoa precisa, e respeitar se ela não quiser nada.
Presença é cuidado em forma de gesto.
O cuidado com as palavras
Eu já testemunhei histórias de pacientes magoados com comentários, mesmo que bem intencionados. Às vezes, frases como “você vai vencer, é só ter fé” ou “conheço quem teve e ficou bem” podem soar indiferentes ou minimizar o sofrimento.
O melhor é perguntar como a pessoa prefere ser apoiada e evitar fórmulas prontas.
Pessoas atendidas pela Dra. Nayara Zortea Lima relatam que se sentem mais confortáveis quando, na dúvida, o amigo ou familiar pergunta: “Posso fazer algo por você hoje?” ou simplesmente se coloca à disposição para ouvir.
Superando a distância e o medo do incômodo
Compreendo que muitos amigos se afastam por não saber como agir ou por medo de incomodar. Mas, em muitos relatos, ouvi que a ausência magoa mais do que qualquer coisa dita de forma desajeitada.
- Se não sabe o que dizer, diga isso.
- Se tem medo de invadir, escreva uma mensagem curta, aberta (“Estou aqui se quiser conversar”).
- Pode ser que o paciente não responda de imediato. Não leve para o lado pessoal.
O papel dos profissionais de saúde
Médicos como Dra. Nayara Zortea Lima valorizam imensamente a participação dos amigos na construção de uma rede de suporte. O trabalho dos profissionais de saúde é indispensável, sim, mas a presença afetuosa de amigos oferece algo que só o vínculo humano pode proporcionar.
Se você se sente perdido, lembre-se que o mais importante é estar presente. Como costumo ouvir dos pacientes, "não somos só o diagnóstico".
Conclusão: Acolhimento transforma a jornada
A caminhada pelo tratamento do câncer é longa e cheia de altos e baixos. Descobri que, ao lado de tratamentos eficazes e informações claras, o que realmente importa para quem enfrenta o câncer é sentir-se acolhido e compreendido. Seja por amigos, familiares, ou profissionais, como Dra. Nayara Zortea Lima, esse cuidado afetivo muda o significado dos dias difíceis.
Se quiser saber mais sobre acompanhamento humanizado e suporte emocional durante o tratamento do câncer, convido você a conhecer melhor como trabalhamos. Agende uma conversa ou compartilhe este texto. Vamos juntos construir uma rede de acolhimento, cada gesto conta!
Perguntas frequentes sobre apoio emocional no câncer
O que é apoio emocional no câncer?
Apoio emocional no câncer envolve cuidado, escuta e presença de pessoas próximas para ajudar o paciente a enfrentar os desafios físicos e emocionais da doença.Inclui palavras de conforto, gestos práticos e atitudes que reduzem o medo, a solidão e aumentam a confiança para seguir o tratamento.
Como posso ajudar um amigo com câncer?
Você pode ajudar estando presente, ouvindo sem julgamentos, oferecendo ajuda prática no dia a dia e respeitando o silêncio ou o espaço quando necessário. Pergunte do que ele precisa e esteja disponível, mesmo que apenas para uma conversa leve.
Quais palavras evitarem ao conversar sobre câncer?
Evite frases prontas como “você é forte, vai vencer” ou “conheço quem teve e ficou bem”. Não minimize o sofrimento. Prefira perguntar o que a pessoa quer ouvir e se colocar disponível para escutar ou ficar junto em silêncio.
Onde encontrar grupos de apoio ao câncer?
Muitos hospitais e clínicas têm grupos de acolhimento. Instituições como o INCA e secretarias estaduais de saúde costumam oferecer informações sobre grupos de apoio presenciais e virtuais. O próprio consultório da Dra. Nayara Zortea Lima pode orientar sobre essas redes.
A terapia psicológica ajuda pacientes com câncer?
Sim, a terapia pode ajudar muito. Psicólogos estão preparados para dar suporte emocional e trabalhar sentimentos como medo, tristeza e ansiedade relacionados à doença, contribuindo para o bem-estar durante o tratamento.
