Quando comecei a atuar na área da oncologia, percebi o quanto a palavra “quimioterapia” provoca sentimentos mistos entre pacientes e familiares. Há medo, dúvidas, esperanças. Na minha rotina de atendimento, como a realizada pela Dra. Nayara Zortea Lima, notei que informações claras fazem toda a diferença para amenizar o impacto do diagnóstico e aproximar os pacientes das melhores decisões. Neste artigo, compartilho o que aprendi sobre o tratamento quimioterápico, desde a definição e tipos, até os efeitos indesejados e o caminho para um cuidado mais humano e acolhedor.
O que é quimioterapia?
Se alguém me perguntasse hoje de forma direta, eu diria: A quimioterapia é um tratamento baseado em medicamentos que atuam destruindo células cancerígenas ou impedindo sua multiplicação. Seu principal objetivo é reduzir, controlar ou eliminar tumores que afetam adultos e, principalmente, proporcionar maior sobrevida e qualidade de vida.
Ao contrário do que muitos pensam, não se trata de um único remédio. Falamos de uma combinação de diferentes princípios ativos, escolhidos conforme o tipo, estágio e características do câncer.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, o câncer continua crescendo no Brasil, com quase meio milhão de novos casos ao ano, e a quimioterapia representa uma das armas principais contra essa doença, sendo indicada para diferentes tipos e situações clínicas.
Indicações e mecanismos de ação
Por experiência própria, sei que dúvidas sobre “para que serve” aparecem já na primeira consulta. Os motivos para que um médico indique a quimioterapia podem variar:
- Combater tumores em diferentes órgãos (mama, pulmão, cólon, estômago...)
- Reduzir o tamanho do tumor antes de cirurgia (quimioterapia neoadjuvante)
- Eliminar células cancerígenas remanescentes após cirurgia (adjuvante)
- Controlar sintomas e a progressão da doença em tumores avançados (paliativa)
Funciona, basicamente, afetando o DNA das células tumorais. Ocorre que células normais que se dividem rapidamente também podem ser atingidas. Isso explica muitos dos efeitos, mas voltarei a esse assunto.
Diversos tipos de tratamento quimioterápico
A diversidade dos tipos de quimioterapia me surpreendeu desde o início da minha carreira. Vários protocolos, combinações e formas de administração, tudo adaptado conforme a realidade do paciente.
Por via de administração
- Endovenosa: Mais frequente e conhecida, é feita diretamente na veia, normalmente em clínicas especializadas ou hospitais.
- Oral: Cápsulas ou comprimidos, tomados em casa, com orientações detalhadas sobre horários e jejum.
- Intramuscular: Aplicada no músculo, usada em situações bem específicas.
- Subcutânea: Logo abaixo da pele, comum em certos protocolos modernos.
- Intratecal: Direto no líquor (em torno da medula espinhal), geralmente em tumores do sistema nervoso central.
Protocolos e combinações
A composição dos esquemas é calculada a partir do tipo e extensão do tumor. Muitos pacientes recebem mais de um medicamento ao mesmo tempo, pois o ataque combinado costuma ser mais eficaz. O médico ajusta tudo conforme cada caso, buscando o equilíbrio entre resultado e qualidade de vida.
Fases do tratamento
- Curativa: Tentativa real de eliminar o câncer do corpo
- Paliativa: Quando não há chance de cura, mas o objetivo é controlar sintomas ou prolongar a vida
- Neoadjuvante e adjuvante: Antes ou depois de cirurgia, potencializando os resultados
Personalização faz toda a diferença no sucesso do tratamento.
Efeitos colaterais mais frequentes
Honestamente, sempre tive receio ao conversar sobre efeitos indesejados. Ninguém quer assustar, mas a transparência aproxima e empodera. Os efeitos variam muito, dependendo da combinação de medicamentos, doses, tempo de infusão e do organismo da pessoa.
Entre os efeitos mais comuns estão:
- Enjoo, náusea, vômitos (mas há boas medicações para controlar!)
- Queda do cabelo (nem sempre ocorre, depende do protocolo)
- Cansaço intenso
- Mudanças de apetite
- Alterações no sangue (anemia, queda de imunidade)
- Mucosite (feridas na boca)
- Diarréia ou constipação
- Mudanças na pele e nas unhas
O que percebo no consultório é que a experiência individual pode ser bem diferente. Nem todos terão todos os efeitos, e há maneiras de amenizar vários deles. Estudo apresentado no ASCO Annual Meeting 2021 mostrou que quase metade dos pacientes recebeu quimioterapia no último mês de vida, o que ressalta a importância de individualizar as indicações, sempre considerando conforto e bem-estar.
Orientações práticas para lidar com efeitos indesejados
Ao longo dos anos, fui reunindo algumas dicas que, na prática, ajudam muito os pacientes. Compartilho abaixo conselhos que costumo passar nas consultas:
- Enjoos: Use os medicamentos prescritos pelo oncologista, prefira refeições pequenas e frequentes, evite alimentos muito gordurosos ou fritos.
- Cuidados com a boca: Mantenha uma boa higiene, evite alimentos ácidos e peça orientação à equipe caso surjam feridas.
- Queda de cabelo: Planeje, converse sobre alternativas (lenços, perucas, turbantes…), e lembre-se: cabelo cresce novamente na vasta maioria dos casos.
- Imunidade: Evite lugares cheios, lave bem as mãos, priorize uma alimentação saudável e, ao menor sinal de febre, procure o pronto atendimento.
- Cansaço: Respeite seus limites, aceite ajuda de amigos e familiares, tente manter uma rotina tranquila.
Cada pessoa reage de um jeito. Saber pedir e aceitar ajuda faz parte.
A importância do acompanhamento ativo
A cada ciclo de tratamento, vejo na prática como o acompanhamento atento da equipe médica faz diferença. Monitorar os exames de sangue, ajustar as doses, estar presente nos momentos de dúvida e, principalmente, escutar.
O paciente pode, e deve, fazer parte ativa do cuidado.
Segundos dados de uma pesquisa sobre tendência de internações, as hospitalizações por câncer seguem altas, o que reforça a necessidade de observação rigorosa durante todo o processo.
Abordagem multidisciplinar e suporte emocional
Se tem um ponto em que não aceito abrir mão, é no cuidado integral, não apenas do corpo, mas também da mente e das emoções. O tratamento, quando apoiado por psicólogos, nutricionistas e profissionais especializados, ganha em humanidade e resultados. A Dra. Nayara Zortea Lima sempre inclui o suporte multiprofissional na sua rotina, mostrando como o acolhimento e o diálogo aberto fazem diferença.
Práticas complementares para o bem-estar
Em minha opinião, práticas que promovem conforto e qualidade de vida ao paciente devem, sim, ser valorizadas. Não substituem os medicamentos, claro, mas podem trazer alívio de sintomas e sensação de equilíbrio.
- Meditação e técnicas de respiração
- Acupuntura para dores e enjoos
- Massoterapia (quando liberado pelo especialista)
- Cuidado com a alimentação, sempre com suporte profissional
- Atividades de lazer, quando possível, para manter a saúde emocional
É fato que cada caso pede avaliação individualizada. O diálogo entre paciente, familiares e equipe multiprofissional é chave para integrar práticas seguras e alinhadas aos objetivos do tratamento.
Diálogo, escuta e plano de cuidado personalizado
No contato com as famílias, percebo diariamente como dúvidas e inseguranças se dissipam quando existe abertura para o diálogo. Uma relação baseada no respeito, na escuta ativa, e na construção conjunta de estratégias fortalece o paciente para enfrentar as etapas do tratamento.
Conversar é tão importante quanto medicar.
O plano é feito sob medida, ajustado conforme necessidades clínicas, preferências, contexto familiar e social da pessoa que está enfrentando a doença. Essa abordagem, adotada pela Dra. Nayara Zortea Lima, faz toda a diferença no bem-estar e na adesão ao tratamento.
O cenário atual no Brasil
Com base nos números do INCA, o câncer segue desafiando profissionais e famílias. Destaco que houve aumento expressivo nos procedimentos, como mostrou análise recente sobre câncer de mama no Rio de Janeiro. Apesar dos avanços, nem sempre acesso e continuidade do tratamento são simples. A pandemia de COVID-19, por exemplo, resultou em quedas importantes de novos tratamentos e atrasos, como alertam estudos do Ceará. Essa realidade reforça o valor do suporte acolhedor, humanizado e individualizado em todas as etapas.
Conclusão
O tratamento quimioterápico carrega desafios, mas também possibilidades reais de controle da doença e de recuperação. Minha experiência e a vivência da Dra. Nayara Zortea Lima mostram que informação de qualidade, atenção personalizada e integração de práticas complementares fazem a jornada menos solitária e mais acolhedora.
Se você busca um acompanhamento humano, atento a cada detalhe da sua rotina, agende uma consulta e conheça de perto os diferenciais do cuidado que coloco em prática. Juntos, paciente, família e equipe podem construir um caminho com mais segurança e tranquilidade durante todo o tratamento contra o câncer.
Perguntas frequentes
O que é quimioterapia e para que serve?
Quimioterapia são medicamentos usados para tratar o câncer por meio da destruição ou inibição do crescimento das células malignas. Serve para reduzir, controlar ou até eliminar tumores, podendo ser indicada antes ou depois de cirurgias, ou para controle de sintomas em casos avançados.
Quais são os tipos de quimioterapia?
Existem diferentes formas: endovenosa (na veia), oral (comprimidos/cápsulas), intramuscular, subcutânea e intratecal. Os esquemas são montados conforme cada caso, podendo ser curativos, paliativos, neoadjuvantes ou adjuvantes. Cada protocolo é ajustado ao perfil da doença e do paciente.
Quais efeitos colaterais são mais comuns?
Os mais frequentes incluem enjoo, vômitos, queda de cabelo, cansaço, alterações no sangue, mucosite, diarréia ou constipação, perda de apetite e mudanças na pele/unhas. Nem todos os pacientes apresentam todos esses efeitos.
Como aliviar os efeitos da quimioterapia?
Uso correto das medicações indicadas pelo médico, alimentação leve e fracionada, higiene bucal, usar lenços ou perucas em caso de queda capilar, evitar aglomerações para prevenir infecções, e respeitar sinais do corpo. Práticas como meditação, acupuntura e suporte psicológico ajudam bastante.
Quais cuidados devo ter durante o tratamento?
É preciso comparecer às consultas, fazer exames de sangue e seguir as orientações médicas com atenção. Manter boa alimentação, higiene, hidratação, descansar quando for necessário, procurar ajuda se surgir febre ou sinais de infecção, e comunicar qualquer sintoma novo à equipe de saúde garantem mais segurança. Conversar e compartilhar dúvidas com profissionais facilita todo o percurso.
