Paciente feminina em consulta médica para exame de Papanicolau, médica explicando procedimento em ambiente humanizado

Se existe um exame simples e impactante na prevenção da saúde feminina, para mim, sem dúvida, é o Papanicolau. Sempre que atendo pacientes no consultório, a conversa sobre esse exame vem cheia de dúvidas, ansiedades e, muitas vezes, desinformação. Acho fundamental trazer respostas claras, baseadas em experiência clínica e em estudos recentes, para desmistificar o rastreamento do câncer do colo do útero. Quero explicar, de forma direta e acolhedora, todos os aspectos do exame, desde sua realização até as indicações mais atuais - e também mostrar como um olhar humanizado pode transformar essa etapa da prevenção.

O impacto do câncer do colo do útero: números no Brasil

Antes de entrar nos detalhes técnicos do exame, preciso mostrar por que ele é tão relevante. Segundo dados recentes citados no site do INCA, a estimativa para 2023 a 2025 é de 17.010 novos casos de câncer do colo do útero por ano no Brasil, com as maiores taxas na Região Norte. Quando observo que este número representa não só dados, mas vidas inteiras impactadas, fica claro o valor do rastreamento. Infelizmente, quase metade dos casos ainda inicia tratamento após o prazo ideal, segundo dados do Painel Oncologia do DataSUS. Isso resulta em diagnósticos tardios e maior mortalidade. Mais grave ainda, entre 2019 e 2023 foram 33.955 óbitos registrados, afetando especialmente mulheres de 40 a 59 anos, como aponta o Observatório de Oncologia.

O que é e para que serve o exame Papanicolau?

No dia a dia da ginecologia e oncologia, o Papanicolau, também chamado de citologia oncótica, é feito para detectar, em estágios iniciais, alterações nas células do colo do útero. Essas alterações são, na maioria das vezes, causadas pelo HPV, mas podem surgir outros sinais de infecções ou processos inflamatórios.

Detectar antes de sentir: esse é o maior valor do rastreamento.

Eu considero essencial que minhas pacientes enxerguem o rastreamento não como uma obrigação, mas como um cuidado preventivo capaz de evitar tratamentos agressivos e aumentar chances de cura.

Quem deve fazer o exame e com que frequência?

O consenso atual recomenda a realização do Papanicolau em todas as mulheres que já tiveram vida sexual, geralmente a partir dos 25 anos, e que mantenham o exame regular até os 64 anos. Após dois exames anuais negativos, a coleta pode ser realizada a cada três anos, desde que não haja nenhum sintoma ou fator de risco adicional.

  • Início: 25 anos (ou início da vida sexual, se antes desse período, mediante avaliação médica)
  • Periodicidade: anual nos dois primeiros exames; depois, a cada três anos se normal
  • Término: 64 anos, caso os exames anteriores sejam negativos

Em casos especiais, como mulheres imunossuprimidas, a frequência pode ser diferente, sempre sob orientação médica. Eu costumo lembrar que uma consulta individualizada, como busco realizar em cada atendimento, é a melhor maneira de adaptar as recomendações a cada necessidade.

Como é feito o exame?

Médica realizando coleta do papanicolau em paciente mulher com jaleco e luvas, clínica branca, atenção ao conforto da paciente

O procedimento é simples e dura apenas alguns minutos. Peço para a paciente deitar-se na maca ginecológica, relaxar os joelhos e abrir suavemente as pernas. Introduzo um espéculo, o famoso “bico de pato”, na vagina para visualizar o colo do útero. Com uma escova especial e uma espátula, faço a coleta de células da superfície e do canal do colo, que são depositadas em uma lâmina para análise laboratorial.

A experiência pode ser desconfortável para algumas mulheres, mas, de forma geral, não é dolorosa. Sempre procuro tornar esse momento menos tenso, explicando cada passo e respeitando os limites da paciente. Muitas relatam depois que se sentiram acolhidas – o que, para mim, é tão importante quanto o resultado do exame.

Preparo para o Papanicolau: orientações práticas

Em minha rotina, faço questão de orientar sobre os cuidados ao agendar a coleta:

  • Evitar relações sexuais dois dias antes do exame
  • Não usar duchas vaginais, cremes ou medicamentos locais neste período
  • O ideal é realizar o exame fora do período menstrual (preferencialmente na fase intermediária do ciclo)

Essas orientações aumentam a qualidade da amostra e evitam resultados inconclusivos. O pós-exame, por sua vez, não requer restrições. Basta retornar à rotina normal, sem necessidade de repouso ou cuidados específicos, salvo orientação médica em situações específicas.

Diagnóstico precoce, impacto na mortalidade e avanços recentes

O grande diferencial do rastreamento feito pelo exame de citologia do colo do útero está na capacidade de identificar lesões pré-cancerosas, ou seja, alterações ainda não malignas, mas com potencial de evoluir para câncer. Isso permite o chamado diagnóstico precoce, principal arma para evitar óbitos e tratamentos agressivos.

Um exame simples pode salvar uma vida inteira.

O câncer do colo do útero apresenta mortalidade elevada quando diagnosticado em fases tardias, como mostraram análises sobre o perfil dos óbitos por faixa etária e desigualdades de acesso. Para mim, estes dados reforçam a necessidade de melhorar o acesso, antecipar diagnósticos e investir em atendimento acolhedor.

Relação com HPV, vacinação e autocoleta

É impossível falar do universo do Papanicolau sem mencionar o HPV, responsável pela maioria dos casos de câncer cervical. A vacinação é uma estratégia fundamental, mas, mesmo vacinadas, as mulheres devem manter o rastreamento por meio da coleta, já que a vacina não cobre todos os subtipos oncogênicos.

Nos últimos anos, o Brasil discutiu alternativas modernas como o teste de DNA-HPV para rastreio, que pode ser aplicado inclusive por autocoleta – solução que oferece mais acesso e conforto para algumas mulheres. Apesar de já existirem estudos promissores, a citologia tradicional continua sendo o principal método em grande parte do país e é o recomendado como rotina. De todo modo, eu vejo com bons olhos a personalização dessas estratégias, adaptando-as conforme as necessidades da paciente e a realidade local.

Kit de autocoleta para papanicolau sobre uma mesa branca, com manual ilustrado ao lado

A consulta humanizada faz a diferença

No consultório, sinto que cada paciente traz histórias, inseguranças e expectativas próprias. Por isso, faço questão de ouvir o que ela espera do atendimento, esclarecer dúvidas e acolher eventuais receios. O projeto que conduzo, ao lado da Dra. Nayara Zortea Lima, tem justamente essa missão: dar suporte individualizado, tratar dúvidas e orientar tanto rastreamento como condutas em casos alterados. O diagnóstico precoce não se resume ao exame, mas ao cuidado integral, respeitando a singularidade de cada mulher em todas as fases da vida.

Conclusão: cuide-se, agende seu rastreamento

O Papanicolau é mais do que uma coleta de células – é um gesto de autocuidado e uma ferramenta central na redução da mortalidade por câncer do colo do útero. Com preparo adequado, acompanhamento individualizado e atitudes preventivas como vacinação contra HPV, é possível proteger não só a própria saúde, mas também transformar expectativas de vida.

Prevenir é mais leve do que remediar.

Se você não faz seus exames regularmente, pense em agendar sua consulta. E se tiver dúvidas, busque um atendimento que respeite sua história e suas escolhas. Conheça mais sobre nosso trabalho e venha sentir a diferença de um cuidado acolhedor e atento em todas as etapas da sua saúde.

Perguntas frequentes sobre o exame papanicolau

O que é o exame papanicolau?

O exame Papanicolau é um procedimento preventivo que coleta células do colo do útero para identificar infecções e alterações pré-cancerosas, antes do surgimento de sintomas. É um dos principais métodos de rastreamento do câncer cervical, realizado no consultório do ginecologista ou oncologista, e essencial para a detecção precoce do HPV.

Como é feito o papanicolau?

A coleta ocorre durante o exame ginecológico: utilizo um espéculo para expor o colo do útero e, com uma escova e espátula, retiro células da região. O material coletado é analisado em laboratório para buscar possíveis alterações.

Com que frequência devo fazer papanicolau?

O recomendado é iniciar aos 25 anos, repetir anualmente nos dois primeiros exames e, se normais, passar a cada três anos até os 64 anos. Em situações particulares, a periodicidade pode ser adaptada conforme orientação médica individualizada.

Papanicolau dói ou causa desconforto?

Em geral, o procedimento não dói, mas pode gerar leve desconforto ou sensação de pressão. Em minhas consultas, procuro sempre esclarecer etapas e respeitar o tempo da paciente, minimizando ansiedade e possíveis incômodos.

Onde fazer exame papanicolau gratuito?

O exame está disponível gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde e postos do Sistema Único de Saúde (SUS), bastando procurar o serviço de atenção à mulher. Cidades também costumam promover campanhas regulares para ampliar o acesso ao rastreamento.

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Nayara Zortea

Sobre o Autor

Nayara Zortea

Dra. Nayara Zortea Lima é médica oncologista dedicada ao cuidado integral de adultos diagnosticados com câncer. Ela se destaca por sua abordagem humanizada, foco na qualidade de vida e atenção às necessidades individuais de cada paciente. Com experiência em práticas complementares e suporte emocional, Dra. Nayara acredita no acolhimento, na escuta ativa e no diálogo transparente para o desenvolvimento de planos terapêuticos personalizados.

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