Em minha rotina de oncologista, vejo como a prevenção faz diferença na vida das mulheres. Entre os exames que mais mudaram a história do diagnóstico do câncer, a mamografia ocupa papel central. Muitas pacientes chegam cheias de dúvidas e, por isso, procuro trazer neste texto um olhar esclarecedor e acolhedor, inspirado pelo projeto da Dra. Nayara Zortea Lima, onde o cuidado integral está sempre em foco.
O que é mamografia e por que ela é tão recomendada?
A mamografia é um exame de imagem que permite visualizar alterações mínimas nos seios antes mesmo de qualquer sintoma aparecer.Eu costumo explicar: ela funciona como uma "foto" detalhada das mamas, feita com baixas doses de radiação ionizante, que pode mostrar nódulos muito pequenos ou microcalcificações, sendo extremamente relevante para o rastreamento do câncer de mama.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse é o método mais indicado para detectar precocemente alterações suspeitas, inclusive em mulheres que nunca notaram qualquer sintoma. Isso me faz lembrar de tantas pacientes, fortes e cheias de planos, que encontraram um tumor em fase inicial graças a esse exame – o que muda tudo no tratamento.

Como a mamografia funciona e como se preparar
O exame é simples, rápido e não exige grandes preparos. Antes da realização, oriento as pacientes a não usarem desodorante, cremes ou talcos nas axilas e mamas no dia do exame, pois essas substâncias podem interferir nas imagens. Costumo aconselhar também a escolher datas em que as mamas estejam menos sensíveis, o que costuma acontecer após o período menstrual.
- Traga exames anteriores, se houver, para comparação
- Vista roupas confortáveis, de preferência blusas que abrem na frente
- Informe ao técnico sobre próteses, cirurgias, ou gravidez
De modo prático, durante o exame, a mama é posicionada em um equipamento chamado mamógrafo e levemente comprimida. Essa compressão, apesar de desconfortável, aumenta a nitidez das imagens e diminui a dose de radiação. Muitas mulheres me perguntam sobre dor. O exame pode causar incômodo breve, mas dificilmente é doloroso.
Digital ou convencional? Diferenças importantes
A mamografia deixou de ser completamente analógica nos últimos anos. A digital, mais moderna, transforma as imagens em arquivos facilmente manipuláveis, permitindo maior agilidade e precisão nos laudos.
- Melhor detecção em mamas densas
- Imagens podem ser ampliadas sem perda de qualidade
- Facilidade em arquivar e compartilhar resultados
Já a convencional utiliza filmes radiográficos, com menor flexibilidade na análise. Em minha prática, sempre que possível, sugiro a digitalização, especialmente para mulheres mais jovens ou com mamas densas – aquelas em que o tecido é predominantemente glandular e dificulta a visualização.
Quando e com que frequência realizar?
O INCA recomenda que mulheres entre 50 e 69 anos realizem a mamografia a cada dois anos, mesmo que não tenham sintomas. Essa orientação se baseia em estudos sólidos sobre o equilíbrio entre benefício e risco do rastreamento.
Para mulheres fora dessa faixa etária, ou com forte histórico familiar de câncer de mama, oriento buscar avaliação personalizada. Nesses casos, a decisão sobre quando iniciar e a periodicidade é feita case a caso, considerando risco individual e outras condições (como uso de hormônios ou presença de mutações genéticas).

A Faculdade de Saúde Pública da USP esclarece que a mamografia permanece o método padrão para rastreio da doença, mas nem sempre é necessário começar cedo para todas as mulheres. Na dúvida, uma conversa franca com um especialista, como proponho sempre na clínica da Dra. Nayara Zortea Lima, faz toda diferença.
Desconforto, próteses e contraindicações: as dúvidas mais comuns
É comum o medo da dor. A pressão é necessária, mas dura segundos. Existem relatos de desconforto, especialmente em mamas mais sensíveis, mas a maioria das mulheres refere apenas incômodo passageiro.
Rapidez e delicadeza tornam o exame mais suportável.
Sobre próteses, muitas pacientes têm receio. Mas, na verdade, é possível fazer mamografia mesmo com implantes. Basta avisar a equipe antes. O técnico vai seguir procedimentos específicos, garantindo melhor resultado, sem risco às próteses.
Gravidez atual, amamentação ou lesões abertas nas mamas são situações em que se adia ou avalia-se alternativas ao exame convencional.Sempre cabe uma avaliação médica individualizada.
O impacto real da mamografia: por que insistir na regularidade?
Segundo a Nota Técnica nº 1/2021 do INCA, a mamografia periódica pode diminuir a mortalidade por câncer de mama em até 30% entre as mulheres que mantêm o acompanhamento regular.
Isso significa detectar tumores menores, com impacto direto no tipo de tratamento e nas chances de cura. Já atendi casos em que um simples controle de rotina salvou uma história inteira. E isso vale mesmo para mulheres que nunca tiveram sintomas. Rastreamento salva vidas porque o câncer de mama, no início, raramente dói ou causa sinais perceptíveis.
O Ministério da Saúde também reforça a oferta gratuita do exame para a faixa etária recomendada, pelo SUS. Em 2020, por exemplo, foram feitos aproximadamente 2,5 milhões de exames nesse sistema, mostrando como a saúde pública reconhece a importância do rastreamento regular (fonte).
No SUS, a mamografia é um direito, não um privilégio.
E mamografia em mamas densas?
Algumas mulheres, especialmente as mais jovens, têm mamas densas, com predomínio de tecido glandular. Nesses casos, o exame pode ter sensibilidade reduzida. Alternativas como ultrassom ou ressonância podem ser indicadas como complemento, mas sempre de acordo com avaliação médica individual.
Mamas densas não anulam o valor da mamografia, mas pedem um olhar atento e, por vezes, recursos extras para garantir o diagnóstico precoce.
Unidades móveis: acesso além do consultório
Nas cidades menores, áreas rurais ou distantes dos grandes centros, as unidades móveis de mamografia vêm ampliando o acesso. São caminhões ou ônibus adaptados, onde a mulher realiza o exame em locais remotos, sem necessidade de grandes deslocamentos.

Vejo essa iniciativa com muito bons olhos e sempre incentivo, ainda que seja apenas uma etapa do cuidado. Uma vez identificado qualquer achado, a paciente deve procurar o acompanhamento contínuo em um serviço especializado. Um exame pontual abre portas, mas o tratamento exige proximidade, afeição e conhecimento, como acredito e vejo no trabalho da Dra. Nayara.
Conclusão
Uma única mamografia pode mudar o destino de uma família inteira. Prevenir o câncer de mama não é só agir por medo, mas por amor à vida e ao futuro. Se posso dar um conselho prático, é buscar acompanhamento regular, esclarecer dúvidas e nunca adiar o autocuidado.
No projeto conduzido pela Dra. Nayara Zortea Lima, acredito que o acolhimento, a escuta ativa e o respeito ao contexto de cada mulher são passos que caminham juntos com a tecnologia e o conhecimento. Se você deseja um cuidado integral, centrado em sua individualidade, agende sua consulta. Seja protagonista do seu cuidado e permita-se viver esse caminho com segurança e respeito.
Perguntas frequentes
O que é a mamografia e para que serve?
A mamografia é um exame de imagem feito para identificar precocemente alterações suspeitas nas mamas, como nódulos e microcalcificações, facilitando o diagnóstico inicial do câncer de mama mesmo antes de aparecerem sintomas.Ela serve para o rastreamento sistemático, principalmente em mulheres na faixa recomendada pelo INCA.
Como é feito o exame de mamografia?
Durante o exame, cada mama é posicionada em um aparelho chamado mamógrafo e comprimida por poucos segundos para obter imagens nítidas de diferentes ângulos. O processo é rápido, dura apenas alguns minutos e o resultado é avaliado por um radiologista.
Quando devo começar a fazer mamografia?
A indicação varia conforme idade e riscos individuais, mas a recomendação padrão do INCA é que mulheres entre 50 e 69 anos realizem o exame a cada dois anos, mesmo sem sintomas. Mulheres fora da faixa ou com histórico familiar devem buscar orientação médica personalizada.
Mamografia dói ou causa desconforto?
Normalmente, o exame causa apenas incômodo passageiro durante a compressão das mamas, que é fundamental para obter imagens claras. Em minha experiência, raramente há dor significativa, e o desconforto é breve. Explique sempre suas sensações ao técnico para maior cuidado.
Quanto custa uma mamografia particular?
O valor da mamografia particular pode variar conforme a clínica, a tecnologia utilizada e a região, mas em média gira entre R$ 150 e R$ 350. Lembre que o exame está disponível gratuitamente no SUS para mulheres na faixa etária ideal. Busque atendimento em unidades de saúde próximas para informações.
