Médico explicando o funcionamento da imunoterapia no tratamento do câncer para paciente em consulta

A medicina oncológica mudou nas últimas décadas. O que antes se resumia a cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, hoje ganha força com abordagens inovadoras, capazes de mobilizar o próprio corpo a lutar contra o câncer. Entre essas novidades, a imunoterapia representa uma promessa concreta e empolgante para milhares de brasileiros.

Imunoterapia: ativando o corpo para combater o câncer.

Pode parecer ficção científica. Mas acontece em muitos consultórios e hospitais do país. Médicos como a Dra. Nayara Zortea Lima já incorporam essas técnicas, que unem ciência avançada, cuidado humanizado e esperança. Uma nova curva se abre para quem enfrenta um diagnóstico difícil.

O que é imunoterapia? Descomplicando o conceito

Falar em imunoterapia é falar de um tratamento que estimula, potencializa ou restaura o poder defensivo do sistema imunológico para identificar e destruir células tumorais. Enquanto tratamentos antigos miram o câncer de maneira direta (matando células doentes mas, muitas vezes, afetando também células saudáveis), a imunoterapia age como um “treinador pessoal” das defesas naturais.

  • Em vez de atacar o câncer por fora, ela ensina o corpo a reconhecê-lo como ameaça.
  • Essa estratégia tende a ser mais seletiva, poupando tecidos saudáveis e, muitas vezes, oferecendo menos efeitos adversos.
  • Cada resposta do paciente pode ser diferente, já que depende muito da interação entre câncer e sistema imune.

A ideia pode ser estranha no começo: como o corpo não enxerga o câncer? Acontece que tumores são habilidosos em “esconder” sinais perigosos; eles confundem os mecanismos de defesa, fingindo ser parte do organismo. A imunoterapia, então, vira esse jogo.

Células do sistema imunológico atacando célula tumoral

Os principais tipos de imunoterapia em oncologia

Quando se fala em tratamento imunológico, alguns nomes aparecem mais vezes. Mas é fácil se confundir diante de tantos termos: anticorpos monoclonais, inibidores de checkpoint imunológico, vacinas terapêuticas e terapias celulares. Vamos simplificar.

Anticorpos monoclonais

Essas substâncias são projetadas em laboratório para se conectar a alvos específicos na célula tumoral ou em componentes do sistema imune. O objetivo pode ser “marcar” o câncer para que ele seja destruído, bloquear sinais de crescimento ou até mesmo transportar medicamentos diretamente até o tumor. No Brasil, medicamentos como trastuzumabe (para câncer de mama), rituximabe (para linfomas) e outros já são conhecidos dessa classe.

Inibidores de checkpoint imunológico

Talvez a revolução mais marcante da oncologia mundial recente. Esses remédios “liberam os freios” do sistema imunológico, impedindo que o tumor se esconda. Assim, células de defesa ativam seu poder contra as células malignas. Exemplos incluem a nivolumabe e pembrolizumabe, presentes no arsenal nacional após aprovação pela Anvisa.

Terapias celulares e vacinas terapêuticas

Aqui, a medicina vai além, modificando células de defesa do próprio paciente para que reconheçam e eliminem o câncer. Um dos grandes avanços foi a recente aprovação da terapia celular Carvykti® pela Anvisa (leia mais sobre a aprovação). Vacinas, por sua vez, estimulam o sistema imune a atacar alvos tumorais específicos.

Imunoterapia não é uma receita única – cada tipo visa um aspecto distinto da relação câncer e defesa.

Para que tipos de câncer a imunoterapia já é aprovada no Brasil?

A lista de tumores para os quais imunoterapias podem ser recomendadas cresce a cada ano. É importante entender que nem todo câncer receberá essa indicação. A aprovação depende de estudos, eficiência demonstrada e acompanhamento das autoridades sanitárias.

  • Melanoma (pele): Um dos primeiros tipos a ser beneficiado, principalmente para tumores avançados ou metastáticos. Os resultados impressionaram por aumentar a sobrevida e controlar doença.
  • Câncer de pulmão não pequenas células: Também liderou aprovações, especialmente quando há expressão de determinados biomarcadores (como PD-L1).
  • Câncer de rim (renal): Avanços recentes permitiram incluir imunoterapia em protocolos, alterando significativamente o prognóstico em contextos avançados.
  • Câncer de mama triplo-negativo: Uma das subcategorias mais agressivas, passou a contar com opções imunológicas para pacientes com tumores que expressem PD-L1.
  • Linforma Hodgkin, cabeça e pescoço, bexiga e outros: A lista inclui tumores menos comuns ou situações específicas, mas todos provam uma tendência de expansão.
Paciente recebendo imunoterapia em hospital

Segundo decisão recente da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, a tendência é que cresça a inclusão da imunoterapia nos protocolos do SUS, especialmente para casos em que eficácia e segurança já estejam bem estabelecidas.

Quem pode se beneficiar da imunoterapia?

É comum imaginar que quanto mais novo o tratamento, mais pessoas deveriam recebê-lo. Mas na prática, a indicação correta depende de características do tumor e do paciente. Não é só querer, mas avaliar muitos detalhes.

  • Expressão de biomarcadores: Testes laboratoriais (como PD-L1) indicam se o tumor é mais ou menos suscetível a ser reconhecido por certos remédios imunológicos.
  • Estágio da doença: Imunoterapia costuma ser indicada para tumores avançados, recidivados ou metastáticos. O uso em fases iniciais, embora já exista em estudos, ainda é menos frequente.
  • Perfil imunológico do paciente: Doenças autoimunes, infecções crônicas ou uso de medicamentos imunossupressores, por exemplo, podem limitar ou dificultar.
  • Saúde geral e expectativas: Como toda terapia, é preciso avaliar riscos, benefícios, qualidade de vida e outros objetivos de cada pessoa.

Pacientes acompanhados por especialistas como a Dra. Nayara Zortea Lima contam com um olhar criterioso para cada caso. Recomendações são feitas após exames, conversas e, quando possível, integração com equipes de medicina personalizada.

Como o médico seleciona candidatos à imunoterapia?

A seleção do paciente envolve mais que exames: ela passa por diálogo, empatia e, acima de tudo, personalização. Entre os principais critérios científicos:

  1. Análise molecular: Coleta de fragmentos do tumor (biópsia) ou exames sanguíneos para identificar biomarcadores que tornam o paciente apto ao tratamento.
  2. Avaliação clínica completa: Considera histórico familiar, doenças prévias, uso de medicamentos e preferências do paciente.
  3. Discussão em equipe multidisciplinar: Médicos oncologistas, enfermeiros, farmacêuticos e até psicólogos integram decisões cada vez mais compartilhadas.

Medicina personalizada e imunoterapia

O futuro aponta para testes cada vez mais detalhados, capazes de prever resposta e evitar tratamentos desnecessários. Medicina personalizada não é só tendência global, mas uma realidade que já chega aos consultórios brasileiros.

Laboratório analisando biomarcadores de câncer

Imunoterapia versus quimioterapia: diferenças e complementaridade

Muita gente tem dúvida: a imunoterapia substitui por completo a quimioterapia? Nem sempre. Por vezes, são tratamentos complementares; em outros cenários, o imunológico sozinho já é eficaz.

  • Quimioterapia costuma agir destruindo células que se multiplicam rápido, sem discriminar saudáveis ou não. Por isso, efeitos como queda de cabelo, náuseas, anemia e infecções são frequentes.
  • Imunoterapia, ao direcionar o ataque, tende a poupar mais células normais. Os efeitos adversos mais comuns vêm de ativação exagerada do sistema imune ou inflamações em órgãos (como pele, intestino, pulmão).

Ao escolher junto ao paciente, o oncologista considera tanto as chances de sucesso como o desejo de preservar qualidade de vida. Em alguns tipos de câncer, associar estratégias ainda tem mostrado melhores resultados.

Medicamentos aprovados no Brasil para imunoterapia

A lista cresce rápido, mas alguns nomes já são conhecidos no dia a dia dos centros especializados:

  • Nivolumabe, pembrolizumabe (inibidores de checkpoint, pulmão, melanoma, rim, entre outros)
  • Atezolizumabe, durvalumabe, ipilimumabe (diferentes combinações e alvos em pulmão, bexiga, melanoma)
  • Atezolizumabe associado à quimioterapia para mama triplo-negativo
  • Trastuzumabe, pertuzumabe (anticorpos monoclonais no câncer de mama)
  • Carvykti® (terapia celular para mieloma múltiplo, recentemente aprovado pela Anvisa com protocolos diferenciados de biossegurança e manipulação – mais detalhes aqui).
Novos medicamentos surgem após estudos rigorosos e aprovação da Anvisa.

Principais efeitos colaterais e como lidar

Nenhum tratamento é isento de riscos. Na imunoterapia, os efeitos refletem o “despertar” do sistema imunológico. Quando funciona bem, combate o tumor. Quando passa do ponto, pode afetar órgãos sadios.

  • Inflamação de órgãos: colite (intestino), pneumonite (pulmão), hepatite (fígado) e tireoidite são alguns exemplos.
  • Reações na pele: coceiras, manchas e sensibilidade aumentada.
  • Fadiga e febre: menos marcantes que na quimioterapia, mas podem ocorrer.
  • Outros sintomas específicos variam conforme o perfil imunológico de cada pessoa.

O segredo está no acompanhamento próximo. Isso inclui exames regulares, avaliação de sintomas e, se necessário, uso de medicações imunossupressoras temporárias.

Desafios para o acesso à imunoterapia no Brasil

Apesar das conquistas, a imunoterapia ainda não está ao alcance de todos os pacientes. O principal entrave é o custo elevado das medicações e tratamento, somando-se à necessidade de centros e profissionais altamente qualificados.

  • Custo: Medicamentos imunológicos podem ultrapassar dezenas de milhares de reais mensais.
  • SUS: Graças a propostas recentes do Senado, cresce a discussão sobre expandir o acesso via sistema público, porém o caminho é longo e depende de orçamento, protocolos e capacitação de equipes (veja mais aqui).
  • Capacitação: Centros de referência e profissionais treinados em manejar efeitos adversos e indicar pacientes corretamente ainda são concentrados nos grandes centros.
Médica oncologista conversando com paciente em consultório

Importância do acompanhamento médico e monitoração

Mesmo após o início da imunoterapia, nada substitui a vigilância constante. O paciente precisa ser acompanhado de perto por uma equipe experiente, capaz de reconhecer sinais precoces de efeitos colaterais e ajustar rapidamente o tratamento.

Cuidado humanizado e vigilante é parte do sucesso da imunoterapia.
  • Consultas regulares e diálogo aberto: Incentiva que o paciente relate qualquer sintoma, mesmo que pareça pequeno.
  • Exames laboratoriais e de imagem: Avaliam eficácia e segurança do tratamento.
  • Equipe multidisciplinar: Nutrição, psicologia, enfermagem e farmacêuticos somam para a experiência integral do paciente.
  • Educação do paciente e família: Entender o que esperar, identificar sinais de alarme e saber quando acionar equipes médicas faz diferença.

É essa abordagem integral, defendida por projetos como o conduzido pela Dra. Nayara Zortea Lima, que transforma o tratamento em uma jornada de acolhimento, segurança e esperança realista.

Avanços recentes e perspectivas para o futuro

A ciência não para. A cada congresso, surgem dados que ampliam indicações, refinam critérios e prometem acesso mais amplo e seguro à imunoterapia no Brasil. Novas combinações, terapias celulares, vacinas personalizadas... Tudo isso parece estar batendo à porta dos pacientes mais rapidamente que antes.

Com o apoio de sociedades médicas sérias, de políticas públicas e do investimento em centros de excelência, é possível pensar em um cenário mais democrático e esperançoso para quem enfrenta o câncer nos próximos anos.

Conclusão

A imunoterapia representa uma das principais apostas no combate ao câncer no Brasil, unindo inovação, ciência de ponta e um olhar humano para o paciente. Cada indicação é cuidadosamente analisada por especialistas, pensando sempre no perfil biológico do tumor, nos desejos da pessoa e na melhor qualidade de vida possível.

Se você ou alguém que ama está passando por uma jornada oncológica, não hesite em procurar orientação. Na equipe da Dra. Nayara Zortea Lima, você encontra informações, acolhimento e avaliações sempre atualizadas, reunindo o que há de mais moderno e empático em tratamento de câncer. Agende uma consulta e descubra como podemos ajudar você a trilhar essa jornada com segurança.

Perguntas frequentes sobre imunoterapia no Brasil

O que é imunoterapia contra câncer?

A imunoterapia é um tratamento que estimula o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e combater células cancerígenas. Ela pode usar anticorpos monoclonais, inibidores de checkpoints imunológicos, vacinas ou até células modificadas em laboratório. O objetivo é tornar as defesas naturais mais eficientes, com menos danos às células sadias.

Como funciona a imunoterapia no Brasil?

No Brasil, a imunoterapia é oferecida para vários tipos de câncer, principalmente em fases avançadas ou quando há biomarcadores favoráveis. O tratamento ocorre sob prescrição e acompanhamento de oncologistas, geralmente em hospitais ou centros especializados. O paciente recebe a medicação de acordo com protocolos aprovados pela Anvisa. O acesso pode ser via planos de saúde, particular ou – em alguns casos – pelo SUS, conforme avanço nas diretrizes oficiais. Os critérios são rígidos e cada indicação é personalizada.

Quem pode receber imunoterapia no SUS?

O SUS já oferece imunoterapia para alguns tipos de câncer – principalmente melanoma, pulmão e linfoma Hodgkin em situações específicas. Porém, novas políticas públicas estão sendo debatidas para expandir esse acesso, dependendo de avaliações de custo, impacto, demanda e treinamento de equipes. A indicação depende do diagnóstico, dos biomarcadores presentes e da disponibilidade dos protocolos no hospital onde o paciente é tratado.

Imunoterapia é melhor que quimioterapia?

Não há uma resposta única. Para determinados tipos de câncer e perfis de pacientes, a imunoterapia oferece resultados superiores, inclusive com menos efeitos colaterais graves. Em outros casos, quimioterapia ainda é indispensável, podendo inclusive ser usada junto com imunoterapia para maior eficácia. Tudo depende do tipo do tumor, estágio, histórico do paciente e presença de biomarcadores.

Quanto custa tratamento com imunoterapia?

O preço do tratamento imunológico é alto; depende do tipo de medicamento, número de aplicações e duração. Pode variar de alguns milhares a dezenas de milhares de reais por mês. Em planos de saúde e clínicas privadas, os valores costumam ser repassados ao paciente ou absorvidos pelos convênios, dependendo do plano. No SUS, o acesso depende da incorporação dessa terapia nos protocolos públicos. Sempre consulte um especialista para avaliação individualizada do caso e possibilidades de acesso.

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Nayara Zortea

Sobre o Autor

Nayara Zortea

Dra. Nayara Zortea Lima é médica oncologista dedicada ao cuidado integral de adultos diagnosticados com câncer. Ela se destaca por sua abordagem humanizada, foco na qualidade de vida e atenção às necessidades individuais de cada paciente. Com experiência em práticas complementares e suporte emocional, Dra. Nayara acredita no acolhimento, na escuta ativa e no diálogo transparente para o desenvolvimento de planos terapêuticos personalizados.

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