Médica oncologista atendendo paciente adulto em consultório moderno e acolhedor

Por vezes, me pego refletindo sobre como a percepção de dor influencia toda a jornada do paciente com câncer. Essa reflexão ganhou ainda mais intensidade após tantos anos convivendo com histórias, desafios e desejos de quem busca não apenas viver, mas viver com dignidade e menos sofrimento. A dor oncológica, tão presente em meu trabalho no consultório e nos relatos dos meus pacientes, pode parecer invisível para quem está de fora. Mas para quem sente, toma uma dimensão imensa, e precisa de escuta e cuidado verdadeiros.

Por que a dor é tão frequente em pacientes oncológicos?

Nas minhas consultas, uma das dúvidas que mais surgem é justamente o motivo da dor aparecer ou se intensificar com o diagnóstico do câncer. Segundo orientações do Instituto Nacional de Câncer, esse sintoma pode ser decorrente tanto do próprio tumor quanto das intervenções realizadas durante o tratamento. Ainda existe o impacto emocional, que por si só pode amplificar a sensação dolorosa.

Dor não é apenas um sintoma físico: ela tem raízes emocionais profundas e merece ser acolhida.

Principais tipos de dor oncológica

Ao conversar com cada paciente, precisei aprender a diferenciar várias formas de dor, pois cada uma exige um olhar e estratégias distintas.

  • Dor nociceptiva: geralmente ligada ao dano direto causado pelo tumor nos tecidos do corpo, como ossos, músculos ou órgãos. Essa forma é mais comum e responde bem a analgésicos tradicionais.
  • Dor neuropática: ocorre quando há lesão ou compressão dos nervos pela doença ou pelo tratamento, sendo descrita como queimação, formigamento ou choque. Muitas vezes, exige medicamentos específicos.
  • Dor mista: bastante frequente no câncer, combina elementos de dor nociceptiva e neuropática, tornando o manejo mais complexo.
  • Dor incidental: surge em momentos específicos ou desencadeada por algum movimento, impacto ou até mesmo tosse.

Entender e reconhecer esses tipos facilita muito na escolha da estratégia certa para cada pessoa, respeitando sempre sua individualidade e o que ela valoriza em sua rotina.

Paciente adulto em consulta médica, demonstrando desconforto físico

Sinais que a dor está impactando o bem-estar

Percebo que muita gente hesita em relatar o quanto está sofrendo, por medo de ser “fraca” ou de incomodar. Mas o reconhecimento dos sinais de dor persistente é um passo poderoso para retomar qualidade de vida. Observo que, além da verbalização direta, existem outros sinais importantes:

  • Dificuldade para dormir ou manter o sono
  • Redução do apetite
  • Irritabilidade ou tristeza sem causa aparente
  • Dificuldade para caminhar, trabalhar ou realizar atividades de lazer
  • Isolamento social: evitar visitas, contatos ou conversas

Nos meus atendimentos, procuro incentivar o paciente a relatar não só a dor em si, mas tudo aquilo que a dor acaba afetando em outras áreas da vida. Estudos da Casa de Oswaldo Cruz também apontam para a necessidade de ampliar o olhar para fatores ambientais e sociais, que muitas vezes se manifestam por meio do sofrimento relatado diariamente na clínica.

O silêncio sobre a dor pode atrasar o tratamento mais adequado.

Como manejo da dor oncológica é realizado?

Frequentemente, pacientes chegam ao consultório preocupados, achando que sentir dor faz parte do processo e precisa ser “suportado”. Sempre faço questão de desmitificar isso: o controle da dor faz parte do cuidado oncológico integral e é um direito de todo paciente.

No dia a dia, sigo o que há de mais recente descrito em artigos como o da Revista Brasileira de Cancerologia, defendendo o manejo individualizado. Abaixo, destaco os passos práticos que costumo adotar:

  1. Avaliação da dor: intensidade, localização, características, fatores que pioram ou aliviam; uso de escalas como a numérica (0 a 10).
  2. Identificação do tipo predominante de dor, definindo se é nociceptiva, neuropática ou mista.
  3. Ajuste de medicação: uso racional de anti-inflamatórios, analgésicos comuns, opioides, adjuvantes (como antidepressivos ou anticonvulsivantes para a dor neuropática).
  4. Acompanhamento: revisar periodicamente a resposta e ajustar doses, trocando medicamentos conforme necessário.
  5. Abordagem multiprofissional: envolvimento de fisioterapia, psicologia, nutrição e práticas integrativas para conforto adicional.

Outro ponto essencial é a valorização dos cuidados paliativos: além do controle físico, a atenção deve ser ampliada para aspectos psicológicos, sociais e espirituais, pois tudo impacta na percepção da dor.

Práticas complementares e cuidados no dia a dia

Na prática clínica, aprendi que nenhuma solução é mágica. O que funciona para um paciente pode não funcionar para outro. Por isso, integro cuidados convencionais com práticas que podem suavizar a experiência dolorosa. Cito algumas que já observei terem bons resultados:

  • Compressas mornas ou frias em regiões doloridas, dependendo da causa
  • Técnicas de relaxamento, respiração consciente e meditação guiada
  • Massagem leve, principalmente em regiões de tensão muscular
  • Movimento suave: caminhadas lentas, exercícios leves sob orientação
  • Espaços seguros para o desabafo psicológico ou espiritual

É claro, sempre oriento que qualquer nova prática só deve ser iniciada após conversa com o oncologista. Como no trabalho da Dra. Nayara Zortea Lima, acolhimento, diálogo e personalização do plano terapêutico fazem toda a diferença para o paciente se sentir amparado.

Paciente recebendo massagem terapêutica em ambiente confortável

O papel das famílias e das equipes de saúde

Vejo, na convivência diária com famílias e cuidadores, como o suporte afetivo é fundamental. Muitas vezes, um olhar atento de quem está próximo pode identificar mudanças no comportamento ou expressões de dor que, sozinhos, os pacientes nem sempre percebem. Da mesma forma, a comunicação aberta com toda a equipe de saúde facilita ajustes rápidos e eficazes no tratamento.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, o atendimento especializado em Unacons e Cacons é estruturado justamente para garantir um cuidado integral, abrangendo desde o controle da doença até o alívio de sintomas, sempre com envolvimento multiprofissional.

Dor compartilhada é dor diminuída.

Quando procurar imediatamente a equipe médica?

Às vezes, é difícil definir o limite. Eu costumo orientar assim:

  • Dor nova ou intensificada repentinamente
  • Sintomas associados, como confusão, febre, vômitos persistentes ou dificuldade respiratória
  • Falta de resposta às medicações habituais
  • Prejuízo para andar, comer ou se comunicar

Em situações assim, ligar imediatamente para a equipe médica é fundamental. O controle da dor, além de proporcionar alívio, pode salvar vidas evitando complicações graves.

Conclusão: O cuidado vai além da prescrição

Quando penso em dor oncológica, logo me vem à mente o quanto o atendimento humanizado muda tudo. No meu dia a dia, vejo que a escuta genuína, a orientação simples e possível, e o apoio constante são tão valiosos quanto qualquer remédio. Assim como fazemos na Dra. Nayara Zortea Lima: o alívio da dor é um direito e uma prioridade para proporcionar uma jornada digna a quem vive com câncer.

Se você ou alguém próximo enfrenta esse desafio, não hesite em buscar ajuda. Cuidar da dor é cuidar de toda a sua história. Agende uma consulta e permita-se receber o cuidado integral, atento a cada detalhe do seu bem-estar.

Perguntas frequentes sobre dor oncológica

O que é dor oncológica?

Dor oncológica é o termo usado para descrever qualquer sensação dolorosa relacionada ao câncer ou ao seu tratamento. Ela pode variar em intensidade e características, sendo constante ou intermitente, leve ou intensa, e afeta tanto aspectos físicos quanto emocionais do paciente.

Quais são os tipos de dor oncológica?

Os principais tipos de dor oncológica são: nociceptiva (relacionada ao dano tecidual), neuropática (decorrente de lesão nos nervos) e dor mista (combinando aspectos das duas anteriores). Ainda temos a dor incidental, que aparece em situações específicas. O reconhecimento do tipo orienta o melhor tratamento.

Como aliviar a dor oncológica?

O alívio da dor envolve o uso adequado de medicamentos, práticas complementares como massagem, fisioterapia, técnicas de relaxamento e acompanhamento multiprofissional. A comunicação constante com o oncologista é a melhor forma de ajustar o tratamento e incorporar métodos que tragam conforto sem riscos.

Quais remédios ajudam na dor oncológica?

Os medicamentos mais comuns são analgésicos simples (como paracetamol), anti-inflamatórios, opioides (como a morfina, quando necessários) e adjuvantes, como antidepressivos ou anticonvulsivantes para dor neuropática. Cada escolha é feita pelo médico com base no tipo e intensidade da dor. Evite automedicação: o acompanhamento médico é fundamental.

Quando procurar ajuda para dor oncológica?

Procure ajuda imediatamente se a dor for intensa, aumentar de forma repentina, não responder aos remédios habituais, ou vier acompanhada de sintomas como febre, confusão ou dificuldade para respirar. Mudanças no padrão de dor devem sempre ser avaliadas pela equipe médica.

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Nayara Zortea

Sobre o Autor

Nayara Zortea

Dra. Nayara Zortea Lima é médica oncologista dedicada ao cuidado integral de adultos diagnosticados com câncer. Ela se destaca por sua abordagem humanizada, foco na qualidade de vida e atenção às necessidades individuais de cada paciente. Com experiência em práticas complementares e suporte emocional, Dra. Nayara acredita no acolhimento, na escuta ativa e no diálogo transparente para o desenvolvimento de planos terapêuticos personalizados.

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