Quando se fala em câncer, normalmente pensamos em órgãos como pulmão, mama ou próstata. Mas você sabia que tumores também podem afetar os olhos? Em minha experiência acolhendo pacientes e familiares que chegam cheios de dúvidas e receios, percebo que o câncer ocular ainda causa muito desconhecimento e insegurança.
Neste artigo, quero mostrar de forma clara como reconhecer sinais, entender os principais tipos, buscar o diagnóstico correto e, acima de tudo, como é possível viver esse processo com informação, cuidado e dignidade. O acompanhamento especializado, como o que busco oferecer junto à minha equipe, pode fazer toda diferença no enfrentamento da doença.
O que é câncer no olho?
A presença de uma formação tumoral maligna em tecidos do olho ou estruturas próximas caracteriza o câncer ocular. Ele pode surgir em qualquer idade, desde o nascimento até a vida adulta, e envolve células que passam a crescer de forma desordenada, podendo comprometer a visão e até mesmo se espalhar para outras partes do corpo.
Cuidar do olhar é também cuidar da vida em cada detalhe.
Em muitos casos, principalmente quando diagnosticado cedo, as chances de preservar a função ocular e a qualidade de vida são reais. Isso reforça a necessidade de informação e acompanhamento individualizado, abordagem presente em projetos como o atendimento humanizado que pratico.
Principais tipos de tumores oculares
Quando penso na variedade dos tumores que podem afetar a visão, geralmente destaco três tipos principais. Cada um apresenta características, perfis de risco e abordagens de tratamento diferentes, o que exige olhar atento e personalizado.
- Retinoblastoma: Predomina em crianças pequenas, acometendo especialmente até os cinco anos. É um tumor que se origina na retina e costuma ser percebido por sinais específicos, como a leucocoria (reflexo branco na pupila) e estrabismo (fonte: Ministério da Saúde).
- Melanoma de coroide: Tumor mais frequente em adultos, especialmente a partir dos 50 anos, desenvolve-se a partir de células produtoras de pigmento no globo ocular.
- Linfoma ocular: Tumor do tecido linfático que pode comprometer partes internas do olho, também mais comum em adultos e idosos.
Outros tumores menos comuns ainda podem surgir, mas esses são os que mais acompanho na rotina clínica e também são alvo da maioria dos estudos oncológicos na área.

Sintomas de alerta: como identificar o câncer ocular?
Cito sempre, em minhas conversas com pacientes, que ficar atento aos sintomas oculares faz toda diferença. A maioria dos tumores oculares produz sinais visuais perceptíveis em fases iniciais, facilitando a detecção precoce. Alguns sintomas merecem atenção especial:
- Alterações visuais: Perda ou diminuição da visão, visão embaçada, percepção de manchas ou flashes luminosos.
- Leucocoria: Reflexo branco na pupila, visível especialmente em fotos com flash.
- Estrabismo: Desvio dos olhos, mais notável em crianças pequenas (detalhes sobre sintomas em retinoblastoma).
- Manchas ou lesões na íris: Escurecimento, alterações de cor ou formato incomum.
- Olho vermelho ou dolorido: Que não melhora com uso de colírios comuns.
- Deformidade do globo ocular: Mudanças no formato, aumento de volume ou protrusão.
Quando qualquer um desses sinais aparecer, vale buscar o olhar especializado de um oncologista ou oftalmologista. O diagnóstico precoce está intimamente relacionado ao prognóstico, sobretudo nos tumores infantis, como reforço em meu consultório e como mostram as ações recentes de exames em mutirões voltados para a população pediátrica (conforme reportado em iniciativas públicas).
Diagnóstico: por que a agilidade faz diferença?
O caminho até o diagnóstico nem sempre é fácil, especialmente pelo medo do desconhecido. Porém, posso afirmar pela prática clínica e relatos de famílias que os exames de imagem e avaliação médica detalhada são ferramentas fundamentais para esclarecer rapidamente a origem de alterações visuais.
Entre os recursos mais utilizados estão:
- Exame do olhinho: Realizado já nos primeiros dias de vida, detecta alterações como a leucocoria.
- Fundoscopia: Avaliação da retina para encontrar tumores, hemorragias ou anormalidades.
- Ultrassom ocular: Permite visualizar lesões internas mesmo quando a opacidade impede a visualização direta.
- Tomografia e ressonância magnética: Auxiliam no mapeamento do tumor, estadiamento e detecção de possíveis metástases.
- Biópsia: Confirmatória quando os exames de imagem não são conclusivos.
Já presenciei casos em que a rapidez nesse processo foi decisiva para preservar não apenas o olho, mas a vida da criança ou adulto afetado. Por isso, insisto: quanto mais cedo se busca avaliação especializada, menores os riscos de complicação severa.
Causas e fatores de risco
Apesar de não haver prevenção absoluta para todos os tumores oculares, alguns fatores de risco aumentam a chance de desenvolvimento da doença:
- Genética: Algumas formas, como o retinoblastoma, têm associação hereditária. Ter familiares com histórico de câncer ocular pede atenção redobrada.
- Exposição solar intensa e sem proteção: Fator relacionado principalmente ao melanoma ocular.
- Idade: Alguns tumores são mais frequentes em determinadas faixas etárias. Crianças estão mais propensas ao retinoblastoma, enquanto adultos manifestam mais o melanoma e linfoma ocular (dados do INCA).
- Sistema imunológico comprometido: Pessoas imunossuprimidas apresentam risco aumentado para linfomas.
Identificar esses riscos ajuda muito na orientação e acompanhamento individualizado, algo que valorizo no cuidado humanizado, como preconizado pelo projeto da Dra. Nayara Zortea Lima.

Tratamento: opções e o papel do cuidado integral
Na abordagem do câncer ocular, recomendo sempre conversa franca entre paciente, familiares e equipe médica. O tratamento é sempre individualizado, considerando o tipo de tumor, estágio, idade e estado geral do paciente. Em linhas gerais, as principais abordagens incluem:
- Cirurgia: Em alguns casos, especialmente tumores pequenos, retira-se a lesão preservando a estrutura ocular. Em situações mais avançadas, pode ser necessária a enucleação (remoção do olho).
- Radioterapia: Usada isoladamente ou combinada com outras terapias, destrói células tumorais mantendo, muitas vezes, a anatomia do olho.
- Quimioterapia: Fundamental no tratamento de retinoblastoma; pode ser feita por via sistêmica ou local.
- Terapias complementares: Buscam o conforto e o bem-estar, reduzindo efeitos colaterais e promovendo acolhimento emocional.
O papel do suporte psicológico e multidisciplinar é central. No consultório, costumo explicar a importância do acompanhamento com apoio psicológico, fisioterápico, nutricional e, claro, o cuidado próximo aos familiares. O paciente é, antes de tudo, uma pessoa com história e sentimentos únicos, não apenas um portador de diagnóstico.
Prevenção e saúde ocular para todas as idades
Adotar algumas práticas simples pode reduzir riscos, favorecer o diagnóstico precoce e preservar a visão:
- Proteger os olhos do sol: Uso de óculos com filtros UV é fundamental.
- Acompanhamento oftalmológico regular: Em especial para crianças pequenas, idosos e pessoas com histórico familiar.
- Atenção a sinais em fotos: Leucocoria percebida em imagens merece atenção imediata (orientações do Ministério da Saúde).
- Atualização da caderneta de vacinação: Manter vacinas em dia pode reduzir riscos de infecções associadas a certos tumores.
- Higiene e cuidado com traumas: Olhos sensíveis a lesões precisam ser protegidos desde cedo, principalmente em crianças.
Promover saúde ocular é missão contínua. Busco diariamente orientar famílias para não esperarem o aparecimento dos sintomas, mas sim adotarem práticas preventivas, especialmente nos grupos mais vulneráveis.
Conclusão
A descoberta de um tumor ocular pode assustar, mas informação de qualidade, suporte integral e diálogo aberto transformam a jornada de tratamento. Cada paciente e família merece escuta, acolhimento e acesso aos avanços mais recentes da ciência, e é exatamente esse cuidado personalizado que proponho nos atendimentos, inspirado pelo projeto da Dra. Nayara Zortea Lima.
Se você suspeita de alterações nos seus olhos ou nos de alguém que ama, busque avaliação especializada. Quero te convidar a conhecer o nosso trabalho, baseado na ética, respeito à individualidade e compromisso em caminhar lado a lado em cada etapa. Agende uma consulta e sinta a diferença de um cuidado onde cada olhar importa.
Perguntas frequentes sobre câncer no olho
Quais são os sintomas do câncer no olho?
Os sinais mais comuns incluem reflexo branco na pupila (leucocoria), desvio dos olhos (estrabismo), perda progressiva da visão, visão embaçada, manchas ou alterações de cor na íris, olho avermelhado resistente a tratamentos simples e mudanças no formato do olho. Esses sintomas variam conforme o tipo de tumor e podem ser percebidos tanto em adultos quanto em crianças.
Como é feito o diagnóstico do tumor ocular?
O diagnóstico envolve avaliação clínica, exame do olhinho (principalmente em bebês), fundoscopia, exames de imagem como ultrassom, tomografia e ressonância magnética e, em algumas situações, biópsia da lesão. A rapidez na procura por ajuda médica é fundamental para aumentar as chances de preservação visual e qualidade de vida.
Quais os tipos de câncer que afetam o olho?
Os principais são o retinoblastoma (mais frequente em crianças), o melanoma de coroide (adultos) e o linfoma ocular (adultos e idosos). Existem outros, porém esses são os mais comuns e estudados na prática clínica.
Existe tratamento para câncer ocular?
Sim. Dependendo do tipo, estágio e características do paciente, podem ser indicados cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapias complementares. O objetivo é sempre combinar controle da doença com preservação da função visual e qualidade de vida, além de oferecer suporte emocional e multidisciplinar.
Como prevenir o câncer nos olhos?
É recomendado proteger os olhos da exposição solar, realizar exames oftalmológicos regulares, estar atento a sinais como leucocoria em fotos, manter a vacinação em dia e priorizar higiene ocular. Não existe prevenção total, mas essas medidas ajudam a reduzir riscos e favorecem o diagnóstico precoce, especialmente em quem tem histórico familiar.
