Consulta médica para exame preventivo de câncer do colo do útero com foco no Papanicolau

Quando penso na saúde da mulher, me vem à mente não apenas os avanços da medicina, mas também as histórias de tantas pacientes que já acompanharam meu trabalho. Muitas delas se surpreendem ao ouvir que o câncer do colo do útero ainda está entre os três tipos mais comuns entre as brasileiras, atrás apenas do câncer de mama e o colorretal, conforme o INCA. Considerando a informação, o impacto social da doença é inegável. Por isso acredito que conhecer a prevenção, o diagnóstico e o tratamento é fundamental para desmistificar e enfrentar essa realidade.

Vacinação em adolescente sendo aplicada por profissional de saúde com jaleco

O que é o câncer do colo do útero?

Em minha rotina, vejo dúvidas recorrentes sobre o próprio órgão. O colo é a parte inferior e mais estreita do útero, conectando-o à vagina. O câncer que ali se desenvolve tem origem, quase sempre, em alterações das células que revestem essa região. O mais comum é o tipo escamoso, mas há outros como o adenocarcinoma. Costuma ser silencioso em fases iniciais, o que dificulta o reconhecimento precoce sem exames regulares.

Segundo dados do INCA, em 2020 foram estimados mais de 16 mil novos casos no Brasil, com índices maiores nas regiões Norte e Nordeste. Isso mostra como o problema se distribui de forma desigual, agravado por diferentes acessos à saúde.

Principais causas: o papel do HPV

Ao conversar com pacientes, sempre destaco que o principal fator de risco é a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os tipos 16 e 18 considerados de alto potencial oncogênico. Embora o HPV seja extremamente comum, estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus ao longo da vida —, na maior parte das vezes o sistema imunológico elimina a infecção. O perigo surge quando ela persiste e provoca alterações celulares.

  • O HPV é transmitido por contato sexual, mesmo sem penetração.
  • O uso de preservativo reduz, mas não elimina totalmente o risco.
  • Imunossupressão, como em pessoas com HIV, aumenta muito a chance da infecção se manter.

Dados do INCA mostram que cerca de 80% dos casos de câncer cervical estão ligados a essa infecção persistente. Outros fatores contribuintes vão desde início precoce das relações sexuais, múltiplos parceiros, tabagismo, até histórico familiar.

Vacina e exame: proteção e cuidado em dobro.

Sintomas iniciais e sinais de alerta

Nesse ponto costumo enfatizar: a maioria das mulheres não apresenta sintomas nas fases iniciais do câncer de colo do útero. Por isso, confiar apenas em sinais clínicos pode atrasar muito o diagnóstico.

No entanto, quando eles aparecem, alguns sintomas comuns incluem:

  • Sangramento vaginal fora do período menstrual, após relações sexuais ou na pós-menopausa
  • Corrimento vaginal persistente, às vezes com odor
  • Dor pélvica ou durante o ato sexual
  • Desconforto lombar

Em fases mais avançadas, podem surgir sintomas sistêmicos como perda de peso, fadiga, anemia e até edema em membros inferiores. Mas sempre lembro: esses sinais geralmente aparecem tardiamente, reforçando o valor dos exames preventivos.

Diagnóstico precoce: por que é tão importante?

Minha experiência revela que algumas mulheres ainda sentem receio ou preconceito em relação aos exames ginecológicos, seja por desconforto ou vergonha. Por isso, tento explicar de forma clara e cuidadosa: quanto mais cedo detectada qualquer alteração, maiores são as chances de cura e menos agressivos tendem a ser os tratamentos.

O Papanicolau continua sendo o exame principal para rastreamento. Ele coleta células do colo do útero e permite identificar lesões pré-cancerosas ou carcinoma em estágios iniciais. A maioria dos casos de câncer invasivo ocorre em mulheres que nunca fizeram ou que realizaram o exame há muitos anos. Isso confirma a importância dessa rotina no cuidado da saúde feminina.

Mulher deitada em mesa de exame ginecológico durante coleta de papanicolau

Como funciona o Papanicolau e cuidados antes do exame

Às vezes percebo certa ansiedade antes do exame, mas ele é simples, rápido e praticamente indolor. Em resumo, a mulher permanece em posição ginecológica e, com uso de um espéculo e uma pequena escova ou espátula, são coletadas células do colo uterino.

  • A coleta dura minutos e não requer anestesia.
  • O desconforto costuma ser mínimo.
  • Pode haver leve sangramento, mas é raro e autolimitado.

Algumas recomendações importantes para melhor resultado:

  1. Evitar relações sexuais, uso de duchas ou cremes vaginais nas 48 horas anteriores.
  2. Não estar menstruada no momento da coleta, pois o sangue pode interferir na análise.

Segundo o INCA, a cobertura do exame no Brasil gira em torno de 80%, mas há desafios quanto à qualidade e regularidade.

Com que frequência devo fazer o exame preventivo?

Conforme as orientações mais atuais e minha prática, indico o início do rastreamento para mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual. O ideal é:

  • Realizar o primeiro e o segundo exames com intervalo de um ano.
  • Se ambos estiverem normais, a partir daí, repetir a cada três anos.
  • Mulheres fora dessa faixa, mas com fatores de risco, também podem precisar de acompanhamento especial.

Essa periodicidade busca equilibrar proteção e evitar exames em excesso. Ressalto que o acompanhamento com profissionais, como fazemos no projeto Dra. Nayara Zortea Lima, pode personalizar as condutas conforme o perfil de cada paciente.

Vacinação contra o HPV: uma proteção fundamental

Quando explico para famílias, percebo que existe dúvida quanto à utilidade da vacinação. A vacina contra o HPV previne até 70% dos casos de câncer cervical, segundo dados do INCA. Ela é oferecida pelo SUS principalmente para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Inclusive vacinar meninos contribui para reduzir ainda mais a circulação do vírus.

Importante observar:

  • Quem já teve contato com o HPV também pode se beneficiar da vacina, pois existem diversos subtipos do vírus.
  • A vacina não substitui os exames preventivos. Ambas as medidas são complementares.
  • Eventuais reações costumam ser leves, como dor local ou febre baixa.
A vacina é uma escolha de proteção para toda a vida.

Tratamento: opções para cada estágio da doença

Sei o quanto receber o diagnóstico pode ser um momento difícil. Gosto sempre de explicar, com paciência, que o tratamento depende do estágio da doença e das condições de saúde de quem enfrenta esse tipo de câncer. Minha intenção é trazer informação clara, para que as pacientes sintam-se seguras na decisão conjunta.

Lesões pré-cancerosas ou in situ

  • Pode-se optar pela retirada de uma pequena parte do tecido alterado (conização, cauterização, crioterapia), frequentemente ambulatorial.
  • Nesses casos o acompanhamento é a palavra de ordem.

Câncer invasivo em fase inicial

  • A cirurgia para retirada do útero e, eventualmente, dos linfonodos próximos é uma alternativa comum.
  • Em algumas situações, pode-se recorrer à radioterapia, associada ou não à quimioterapia.

Estágios avançados

  • Normalmente há necessidade de associação de radioterapia, quimioterapia e, em determinados quadros, terapias direcionadas mais recentes.
  • O foco é controlar a doença, aliviar sintomas e preservar qualidade de vida.

No projeto Dra. Nayara Zortea Lima costumo oferecer suporte integrado, cuidando não só do corpo, mas também do bem-estar emocional, sempre respeitando a individualidade. O acompanhamento clínico contínuo, com diálogo aberto, é fundamental do início ao fim do tratamento.

Oncologista dando as mãos a paciente em consultório, transmitindo apoio

Como manter hábitos saudáveis para prevenir

Além dos exames de rotina, investir em escolhas saudáveis é parte fundamental da prevenção. Em minha vivência, já vi como pequenas mudanças podem influenciar positivamente:

  • Não fumar, já que o tabaco favorece a persistência do HPV.
  • Usar preservativo em todas as relações, mesmo que não seja proteção total contra HPV, reduz o risco de outras ISTs.
  • Alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e alimentos naturais.
  • Manter o calendário vacinal atualizado.
  • Evitar múltiplos parceiros sexuais e diálogo aberto com parceiros quanto à saúde sexual.

Criar um ambiente de cuidado sem julgamentos ajuda a eliminar o estigma associado ao câncer de colo uterino e abre portas para a busca de informação e prevenção. Não raro encontro pacientes que se sentem mais acolhidas quando o foco é no respeito e informação acessível, como proponho em cada consulta.

Desmistificando dúvidas comuns

Já escutei perguntas das mais diversas. Muitas mulheres querem saber se o HPV sempre provoca câncer, se celibato protege completamente, ou até se o exame dói. O HPV pode ser eliminado espontaneamente, porém, em uma parcela, ele persiste e transforma as células locais ao longo de anos. O celibato elimina o risco, mas o importante,para a maioria das pessoas, é o uso de métodos de prevenção e o rastreamento. O exame preventivo é rápido e raramente causa mais que algum desconforto.

Não há vergonha em cuidar da própria saúde. O diálogo é sempre bem-vindo.

Conclusão

Ao conversar sobre o câncer do colo do útero, percebo como as informações certas libertam, empoderam e podem salvar vidas. A prevenção está ao alcance das mãos: vacina, exames, hábitos diários. Diante do diagnóstico, há opções, acolhimento e ciência a favor do seu bem-estar. No projeto Dra. Nayara Zortea Lima, meu compromisso é guiar, esclarecer e promover cuidado humanizado em cada etapa. Agende uma consulta, tire suas dúvidas e sinta-se apoiada para enfrentar cada desafio com informação e serenidade. Sua saúde merece atenção e respeito!

Perguntas frequentes

O que causa o câncer do colo do útero?

A principal causa é a infecção persistente pelo vírus HPV, especialmente pelos tipos 16 e 18, que alteram as células do colo do útero ao longo de anos. Fatores como início precoce da vida sexual, tabagismo e imunossupressão também aumentam o risco. É importante destacar que o contato com o HPV acontece com grande parte das pessoas sexualmente ativas, sendo a persistência do vírus o verdadeiro problema, não o simples contato inicial.

Quais são os sintomas mais comuns?

Nos estágios iniciais, geralmente não há sintomas. Quando eles surgem, os mais frequentes são: sangramento vaginal fora do período menstrual, especialmente após relações sexuais ou na menopausa, corrimento com odor e dor pélvica. Em fases avançadas, podem ocorrer outros sinais, como emagrecimento e dor lombar persistente.

Como é feito o diagnóstico desse câncer?

O rastreamento se faz pelo exame de Papanicolau, que detecta células alteradas do colo do útero. Em caso de alteração, exames complementares como colposcopia e biópsia podem ser solicitados para confirmação e classificação da lesão. A identificação precoce permite tratamento mais simples e melhores taxas de cura.

Quais exames ajudam na prevenção?

O principal exame para prevenção é o Papanicolau. Em algumas situações, testes para detecção do próprio HPV podem ser associados. Ambos visam identificar alterações antes do desenvolvimento do câncer propriamente dito. A recomendação é realizar esses exames periodicamente a partir dos 25 anos, conforme orientação médica.

O tratamento é sempre cirurgia ou quimioterapia?

Não necessariamente. Lesões pequenas podem ser tratadas de forma local, sem cirurgia ampla ou quimioterapia, apenas com retirada da área alterada. O tratamento depende do estágio do câncer e varia desde intervenções menos invasivas até cirurgias, radioterapia ou combinação de terapias. O acompanhamento especializado, como desenvolvido no projeto Dra. Nayara Zortea Lima, personaliza o cuidado conforme a necessidade de cada paciente.

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Nayara Zortea

Sobre o Autor

Nayara Zortea

Dra. Nayara Zortea Lima é médica oncologista dedicada ao cuidado integral de adultos diagnosticados com câncer. Ela se destaca por sua abordagem humanizada, foco na qualidade de vida e atenção às necessidades individuais de cada paciente. Com experiência em práticas complementares e suporte emocional, Dra. Nayara acredita no acolhimento, na escuta ativa e no diálogo transparente para o desenvolvimento de planos terapêuticos personalizados.

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