Falar sobre o câncer de próstata é, para mim, abrir espaço para mais do que dados estatísticos ou informações técnicas. É, sobretudo, olhar para histórias, dúvidas e até receios que escuto no consultório diariamente. Leio olhares ansiosos em busca de orientação clara, de acolhimento, e percebo como o diagnóstico pode impactar tanto o paciente quanto sua família.
Por isso, quero compartilhar aqui o que aprendi e continuo aprendendo com cada pessoa, especialmente ao lado de profissionais dedicados ao cuidado integral do adulto, como a Dra. Nayara Zortea Lima. Ao longo deste artigo, vou abordar aspectos clínicos, mas sem perder de vista o lado humano—porque saúde também é escuta, respeito e presença.
O que é o câncer de próstata?
Antes de avançar para sintomas, exames e possibilidades de tratamento, penso que faz sentido entender o que, afinal, é o câncer na próstata. Essa glândula pequena, localizada logo abaixo da bexiga do homem, envolvendo a parte inicial da uretra, desempenha papel importante na produção do sêmen. E, como qualquer órgão, pode ser atingida por tumores, sendo os malignos aqueles com potencial de crescer e se espalhar para outras partes do corpo.
"Mesmo silencioso, o câncer de próstata pode avançar sem dar sinais no início."
A maioria dos tumores prostáticos se desenvolve lentamente. Mas há casos que evoluem mais rápido, demandando atenção e vigilância regular. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta que, até 2025, em torno de 72 mil brasileiros receberão esse diagnóstico todos os anos, fazendo deste o segundo tipo mais comum em homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma, como aponta esta estimativa do Inca.
Sinais e sintomas: o que observar?
Se tem um tópico que frequentemente gera dúvidas no consultório, é sobre sintomas do câncer prostático. A realidade é que os estágios iniciais costumam ser silenciosos. Por isso, muitos casos são descobertos em exames de rotina, algo que, na minha visão, reforça a importância do acompanhamento médico.

- Dificuldade para urinar, com fluxo fraco ou interrupções
- Necessidade de urinar com frequência, principalmente à noite
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
- Sangue na urina ou no sêmen (em casos menos comuns)
- Dor ao urinar ou ejacular
- Incômodos ósseos (geralmente em quadros avançados, com metástase)
Esses sintomas podem aparecer também em quadros benignos, como a hiperplasia prostática, o famoso aumento benigno da próstata. Mas ignorá-los pode atrasar o diagnóstico de algo mais sério. Uma dúvida que escuto com frequência é: “Se não tenho sintomas, preciso fazer exames?” Vou falar sobre isso adiante.
Fatores de risco: idade, história familiar e estilo de vida
O câncer na próstata está relacionado a fatores que, em muitos casos, fogem do nosso controle, mas não todos. Em minha prática, costumo explicar que ninguém “provoca” a doença, porém há determinados aspectos que aumentam o risco.
Idade: o fator que pesa mais
Após os 50 anos, a probabilidade cresce bastante. E, para homens com histórico familiar, o acompanhamento deve começar ainda antes, por volta dos 45 anos. A maior parte dos diagnósticos ocorre entre a sexta e sétima década de vida.
Histórico familiar
Ter pai, irmão ou avô com câncer de próstata eleva as chances. Principalmente se o diagnóstico foi feito em idade precoce. Isso pode indicar predisposição genética, algo que discuto abertamente com meus pacientes para orientar rastreamento e vigilância mais próximos.
Etnia
Homens negros têm risco aumentado em relação aos brancos ou amarelos. Ainda que eu sempre ressalte: qualquer homem, independentemente da origem, precisa de atenção ao tema. O alerta é apenas maior para esse grupo, explico isso para que ninguém se sinta excluído das recomendações.
Estilo de vida e alimentação
Recentemente, venho acompanhando publicações que mostram que hábitos alimentares influenciam. Dieta rica em gorduras saturadas, carnes processadas e pobres em frutas/vegetais tem associação com maior incidência da doença, como apontam estudos citados nesta publicação científica.
- Obesidade também é fator de risco comprovado
- Atividade física regular é vista como um protetor
- Consumo excessivo de álcool pode prejudicar
- Tabagismo está atrelado à piora do prognóstico
Eu tento sempre reforçar: não existe, até o momento, uma “receita” infalível que elimina o risco. Mas escolher hábitos saudáveis reduz a probabilidade e melhora a saúde geral.
Diagnóstico: exames, etapas e importância da detecção precoce
Tenho visto cada vez mais homens superando barreiras e preconceitos para cuidar da saúde. Mas ainda enfrento resistência em relação ao famoso exame de toque retal e, um pouco menos, ao exame de PSA. Entendo os motivos, por experiência: receio, desinformação e até machismo cultural impregnam esse cenário.
Exame de PSA: a dosagem sanguínea
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína produzida pela próstata. Sua dosagem no sangue serve como alerta para alterações, benignas ou malignas. O exame de sangue para PSA é simples, rápido e indolor. Mas ele não basta sozinho, pois pode estar alterado por outras causas (infecções, aumento benigno, manipulação da próstata).
Toque retal: bem mais importante do que parece
Por mais desconforto que o termo inspire, realizo frequentemente em consultório e digo: dura segundos. Permitindo avaliar alterações no tamanho, textura e presença de nódulos suspeitos na glândula. A combinação do toque com o PSA eleva a chance de identificar precocemente possíveis tumores, até mesmo quando o PSA está normal.
"Prevenção se faz no consultório, mas também com informação e quebra de tabus."
Ressonância magnética e biópsia
Se o PSA ou o toque sugerem algo anormal, o próximo passo costuma ser a solicitação de exame por imagem (ressonância multiparamétrica) e, caso indicado, a realização de biópsia transretal ou transperineal. Somente o exame histopatológico, ou seja, a análise do tecido coletado, confirma realmente se um tumor maligno existe.
Biópsia: quando é necessária?
Em muitos casos, o diagnóstico só é confirmado após biópsia. O procedimento é feito sob anestesia local e, em geral, a recuperação é rápida. Explico detalhadamente cada passo para tranquilizar, pois compreendo bem os medos e dúvidas que cercam esse momento delicado.

O impacto do diagnóstico precoce
Receber um diagnóstico no início, para mim, é como encontrar a doença em uma estrada ainda deserta, poucas complicações e chances elevadas de cura. A detecção nos estágios iniciais permite tratamentos menos agressivos e melhores resultados.
Infelizmente, boa parte dos casos chega em fases avançadas, já com sintomas ou metástases. Por isso, insisto constantemente: consultas preventivas fazem toda a diferença no desfecho do quadro.
"Diagnóstico precoce melhora a qualidade e o tempo de vida."
Faço questão de reforçar com os pacientes e suas famílias: informação salva vidas. E, aqui, o papel de profissionais como a Dra. Nayara Zortea Lima, que acolhem e orientam de forma ética e individualizada, é fundamental na jornada do cuidado.
Estadiamento: entendendo o estágio da doença
Uma vez confirmada a presença de tumor maligno na próstata, é hora de descobrir em que estágio está. Essa classificação orienta todo o plano terapêutico e as possibilidades de cura e controle.
- Estágio I e II: tumores limitados à próstata, geralmente assintomáticos
- Estágio III: tumor ultrapassa a cápsula, mas ainda restrito à área local
- Estágio IV: presença de metástase (proliferação para ossos, linfonodos ou outros órgãos)
O estadiamento é feito por exames de imagem (ressonância, tomografia, cintilografia óssea) e análise clínica detalhada. E, para cada etapa, as decisões de tratamento seguem caminhos personalizados, conforme cada paciente.
Tratamentos para o câncer de próstata
Gosto sempre de explicar: não existe “melhor” tratamento universal, mas sim aquele mais adequado à situação individual do homem, sua idade, condições de saúde, estágio da doença, desejos e expectativas.
Pensando nisso, quero detalhar os principais métodos, incluindo impactos, efeitos colaterais e como eles influenciam o cotidiano e o bem-estar, um tema caro à minha prática, assim como à da Dra. Nayara Zortea Lima.
1. Cirurgia (Prostatectomia)
A remoção total da próstata pode ser indicada nos casos localizados e quando a expectativa de vida permite. Existem diferentes técnicas: convencional (aberta), laparoscópica e robótica. Ao conversar sobre cirurgia com meus pacientes, destaco benefícios e potenciais desafios pós-operatórios.

- Possível cura nos estágios iniciais
- Risco de incontinência urinária temporária ou permanente
- Disfunção erétil pode ocorrer, variando conforme idade e técnica
- Tempo de internação e recuperação relativamente curtos, em muitos casos
Durante o acompanhamento pós-cirúrgico, valorizo o contato próximo e a escuta ativa, até porque questões envolvendo sexualidade e autocuidado precisam de espaço seguro para serem discutidas. Muitos homens me agradecem por abordar isso sem tabu, algo que a equipe multidisciplinar valoriza bastante.
2. Radioterapia
Consiste em aplicar radiações para destruir células tumorais da próstata. Pode ser alternativa à cirurgia em casos localizados ou adjuvante (após cirurgia), caso exista risco de recidiva.
- Pode preservar a próstata em muitos casos
- Efeitos comuns: cansaço, irritação urinária ou intestinal, alterações na função erétil
- Aplicada no consultório de radioterapia em sessões diárias, por algumas semanas
Minha atuação envolve acompanhar os sintomas e oferecer suporte para minimizar desconfortos, tanto físicos quanto emocionais. O diálogo aberto com o paciente sobre o que esperar desse período faz diferença, e recomendo sempre perguntar ao médico tudo o que vier à cabeça.
3. Terapia hormonal
Quando o câncer já está avançado ou há recidiva, o tratamento com hormônios busca bloquear a ação da testosterona, que estimula o crescimento das células tumorais.
- Normalmente acionado em estágios mais avançados
- Pode causar ondas de calor, perda de massa muscular, alterações de humor, diminuição da libido
- Ajuda a controlar a doença e reduzir sintomas, mas raramente cura
Vejo muitos pacientes preocupados com alterações corporais e emocionais, e, em parceria com psicólogos e nutricionistas, trabalhamos juntos para reduzir impactos negativos. O cuidado integral é palavra-chave aqui.
4. Quimioterapia
Não é indicada para todos, geralmente reservada para tumores agressivos, resistentes ao bloqueio hormonal ou com metástases extensas.
- Utiliza medicamentos que circulam no corpo atacando células tumorais
- Efeitos mais frequentes: enjoo, queda de cabelo, fadiga, alteração sanguínea
- Permite controle da doença e melhora de sintomas, mesmo quando não há possibilidade de cura
Em situações que exigem quimioterapia, procuro trazer sempre o paciente para o centro das decisões, esclarecendo riscos e benefícios, e discutindo alternativas para aliviar sintomas e manter o máximo possível do cotidiano habitual.
5. Vigilância ativa
Para casos com tumores considerados de baixo risco e pequena agressividade, pode-se optar por acompanhamento rigoroso, sem intervenção imediata. Nesses casos, examino regularmente PSA, imagem e, se necessário, repito biópsias, sempre explicando cada passo.
- Indicado para tumores indolentes e pacientes sem sintomas
- Evita efeitos colaterais imediatos de tratamentos radicais
- Exige disciplina e acompanhamento rigoroso, pois se houver evolução, poderá ser necessário tratar posteriormente
Qualidade de vida após o diagnóstico
Viver após (ou com) um câncer prostático é um desafio a ser superado todos os dias. Já ouvi relatos de quem se sente perdido, envergonhado ou tem medo do futuro, e entendo o peso de lidar com incontinência urinária, alterações na potência sexual, mudanças na imagem corporal. Trabalho constantemente para ajudar meus pacientes a reconstruírem a autoestima e encontrarem significado mesmo diante dessas dificuldades.
Costumo sugerir um olhar para além da doença:
- Apoio familiar e terapia colaboram para o equilíbrio emocional
- Grupos de apoio promovem troca de experiências e aumentam o ânimo
- Atividades físicas leves orientadas ajudam a trazer disposição
- Terapia sexual pode ser valiosa na redescoberta da intimidade

O apoio multiprofissional, tão defendido pela Dra. Nayara Zortea Lima, oferece real diferença na percepção da jornada de tratamento. Confio no poder de um atendimento humanizado e personalizado para superar barreiras físicas e emocionais impostas pelo diagnóstico.
Prevenção: hábitos que protegem e incentivam o autocuidado
Costumo ouvir, às vezes com ceticismo: “Tem como evitar esse tipo de câncer?”. A resposta não é totalmente preto no branco. Hoje, sabemos que não há método absolutamente capaz de impedir o surgimento, mas práticas diárias favorecem não só a saúde da próstata, como de todo o organismo.
- Praticar atividade física com frequência
- Manter alimentação equilibrada, priorizando vegetais, frutas, legumes e grãos
- Reduzir ingestão de carnes processadas e gordura saturada
- Evitar sobrepeso e obesidade
- Não fumar
- Ingerir álcool com moderação
- Realizar exames preventivos conforme orientação médica

Esses cuidados previnem doenças cardíacas, diabetes e também colaboram na redução do risco do câncer prostático, conforme apontam as novas evidências científicas. Eu costumo propor mudanças graduais, buscando metas possíveis e celebrando pequenas conquistas do dia a dia, incentivando a autonomia no autocuidado.
Suporte psicológico e emocional ao longo da jornada
Nenhum texto sobre câncer pode ignorar a carga emocional do diagnóstico e do tratamento. São dúvidas, medos, tomadas de decisão muitas vezes difíceis. Em minha rotina, vejo o quanto um serviço pautado no acolhimento, montado em torno das necessidades de cada paciente, como faz a Dra. Nayara Zortea Lima, traz segurança, confiança e esperança.

- O medo de perder autonomia e de enfrentar dor é frequente
- Sentimentos de isolamento aparecem, especialmente em quem esconde o diagnóstico
- Ter espaço para expressar anseios, chorar ou apenas conversar ajuda enormemente
Eu gosto de lembrar meus pacientes de que fragilidade não é falta de coragem, mas parte do processo. Buscar ajuda profissional de psicólogos, psiquiatras ou terapeutas ocupacionais, se necessário, pode transformar a maneira de enfrentar a doença. O suporte à família também é relevante, pois todos são impactados.
"O câncer não é uma sentença, mas um novo capítulo."
A partir desse entendimento, consigo, junto com colegas da oncologia, construir roteiros de acompanhamento mais leves, tornando o percurso menos solitário.
Acompanhamento regular: por que continuar cuidando?
Após o encerramento do tratamento ou mesmo durante uma vigilância ativa, o acompanhamento contínuo é parte do processo. Faz sentido, afinal, garantir que possíveis recidivas sejam detectadas cedo, além de controlar efeitos tardios dos tratamentos.
- Consultas regulares com urologista e oncologista
- Exames de PSA e imagem, conforme indicação
- Avaliação de sintomas urinários ou sexuais
- Monitoramento da saúde mental
Meu conselho é: não abandone os retornos, mesmo se tudo parecer resolvido. O autocuidado continuado se traduz em mais saúde, bem-estar e autonomia.
A perspectiva do cuidado humanizado
Nesse longo caminho, sempre destaco: o mais valioso é o vínculo formado entre equipe de saúde, paciente e família. A acolhida respeitosa, escuta atenta e plano terapêutico compartilhado são marcas da atuação da Dra. Nayara Zortea Lima e de tantos profissionais comprometidos com o ser humano além do diagnóstico.
Confio na força dessa abordagem centrada em entender necessidades individuais, oferecer informação clara e assegurar que ninguém caminhe sozinho. Cuidar é, antes de tudo, estar presente, especialmente nos dias difíceis.

Conclusão
Falar de câncer de próstata é tratar de saúde, informação, acolhimento e esperança. Ao lado de profissionais atentos ao cuidado integral, como a Dra. Nayara Zortea Lima, sigo aprendendo que diagnósticos difíceis podem ser atravessados com leveza, dignidade e confiança.
Se você tem dúvidas, carrega receios ou está em busca de orientação para si ou para alguém próximo, saiba que não está só. O caminho do autocuidado e do acompanhamento especializado faz toda diferença, tanto para prevenção quanto para o enfrentamento do tratamento. Busque informação confiável e valorize um serviço que prioriza o respeito, a proximidade e a escuta ativa.
Agende sua consulta, tire suas dúvidas e permita-se ser cuidado, para, juntos, escrevermos uma nova história, com mais saúde e tranquilidade. Conheça o trabalho da Dra. Nayara Zortea Lima e experimente um atendimento dedicado, atento a cada detalhe dessa jornada.
Perguntas frequentes sobre câncer de próstata
Quais os primeiros sintomas do câncer de próstata?
Os primeiros sintomas costumam ser discretos ou até inexistentes; quando aparecem, incluem dificuldade para urinar, jato urinário fraco, aumento da frequência noturna para urinar e, em fases avançadas, sangue na urina ou dor óssea. Em estágios iniciais, muitas vezes o câncer é silencioso, por isso o acompanhamento regular é tão recomendado.
Como é feito o diagnóstico do câncer de próstata?
O diagnóstico é realizado por meio de exames de PSA (sangue), toque retal, exames de imagem como ressonância magnética e, se necessário, confirmação por biópsia prostática. A associação entre métodos aumenta a precisão, permitindo identificar tanto alterações benignas quanto sinais do tumor.
Quais são os tratamentos para o câncer de próstata?
As opções incluem cirurgia (prostatectomia), radioterapia, terapia hormonal, quimioterapia ou vigilância ativa. A escolha depende do estágio do tumor, condições de saúde do paciente e preferências individuais. Por isso, o acompanhamento médico personalizado é fundamental.
Câncer de próstata tem cura?
Quando diagnosticado em fases iniciais, há grande chance de cura com tratamento adequado. Para tumores avançados, o controle é possível e o aumento na qualidade de vida é foco do tratamento.
Quando devo procurar um urologista?
Homens a partir dos 50 anos devem procurar o urologista para exames preventivos mesmo sem sintomas; quem tem histórico familiar deve começar aos 45 anos. Sintomas urinários persistentes também justificam a avaliação especializada em qualquer idade.
