Mãos examinando uma mancha suspeita na pele com luz natural suave, foco em detalhes texturizados da pele e sinal irregular

Eu costumo dizer que existe um momento na vida em que percebemos o real valor do cuidado com a própria pele. Nada me deixa mais impressionada do que a quantidade de pessoas que chegam ao consultório com dúvidas, receios ou histórias de manchas que se transformaram em algo inesperado. O câncer de pele infelizmente faz parte dessa rotina, e por isso quero compartilhar aqui minha experiência e algumas orientações práticas sobre sinais, prevenção e caminhos para proteger nossa saúde.

A saúde da pele é reflexo do cuidado diário.

Nesse tempo de atuação, aprendi que conhecimento pode transformar desinformação em proteção. É sobre isso que falaremos.

O que é o câncer de pele?

Chamamos de câncer de pele o crescimento anormal e descontrolado das células cutâneas. Ele pode surgir em qualquer região do corpo, mas tende a ser mais comum nas áreas expostas ao sol. Muitas pessoas pensam que só quem trabalha ao ar livre corre risco, mas a verdade é que qualquer pessoa pode desenvolver esse tipo de tumor. Existem diferentes subtipos, com características, gravidades e tratamentos próprios. Saber identificá-los e entender seus sinais faz toda diferença.

Aliás, segundo dados apresentados pela CNN Brasil, esse é o tipo de neoplasia mais diagnosticado no país, ultrapassando um terço do total de casos registrados anualmente. Em torno de 185 mil novos diagnósticos por ano, segundo estimativas do INCA. Números que, sinceramente, impressionam e reforçam o quanto esse tema merece atenção.

Quais são os tipos principais?

Em minha prática clínica, sempre preciso explicar aos pacientes as distinções entre os tipos de tumores cutâneos. Os nomes podem até assustar, mas entender o que significa cada um deles diminui o medo e aumenta o controle. Eu gosto de dividir em três grandes grupos:

  • Carcinoma basocelular (CBC): O mais frequente. Costuma crescer lentamente e tem baixo potencial de dar metástases, isto é, se espalhar para outros órgãos. Representa cerca de 70% dos casos.
  • Carcinoma espinocelular (CEC): Também chamado de carcinoma epidermoide, responde por aproximadamente 25% dos diagnósticos. Cresce mais rápido que o basocelular e, sem tratamento, pode atingir tecidos vizinhos ou até órgãos distantes.
  • Melanoma: O menos frequente, mas o mais agressivo. Menos de 10 mil registros por ano, mas com risco alto de se espalhar e causar complicações sérias.

A Revista Fisioterapia em Terapias também traz dados semelhantes: em torno de 95% dos tumores cutâneos são do tipo não melanoma, sendo o CBC predominante, enquanto o melanoma, apesar de menor ocorrência, gera maior insegurança por sua gravidade.

Dermatologista examinando mancha suspeita na pele de um paciente

Carcinoma basocelular: um inimigo silencioso

O carcinoma basocelular me desafia pelo fato de, na maioria das vezes, não causar dor. Ele pode se manifestar como uma pequena ferida que não cicatriza, um nódulo perolado, manchas avermelhadas ou castanhas, e até mesmo como pequenas áreas mais brilhantes, de cor semelhante à pele normal. Em muitas situações, as pessoas nem percebem a presença do problema e buscam auxílio apenas quando a lesão aumenta ou começa a sangrar.

Apesar de sua baixa agressividade local, é fundamental tratar cedo para evitar deformidades ou problemas estéticos mais sérios. É impossível prever somente pela aparência se a lesão irá se tornar perigosa.

Carcinoma espinocelular: risco de agressividade

O espinocelular costuma aparecer como placas avermelhadas, feridas que não cicatrizam, nódulos endurecidos ou áreas que descamam e sangram. Pode surgir em cicatrizes antigas, regiões lesionadas repetidamente ou até mesmo sobre verrugas. Seu maior perigo está no potencial de comprometer tecidos profundos e, eventualmente, invadir outros órgãos.

Casos não tratados podem resultar em complicações bastante sérias, inclusive risco à vida, principalmente em pessoas mais vulneráveis.

Melanoma: atenção máxima aos sinais

Talvez nenhuma outra palavra cause tanto temor nos meus pacientes quanto melanoma. E com razão: esse é o tumor de pele mais perigoso. Ele se origina dos melanócitos, células que dão pigmento à pele. O melanoma pode surgir a partir de pintas já existentes ou aparecer como uma nova lesão, geralmente escura, mas podendo ser rósea, vermelha ou até incolor (amelanótico).

O perigo está na velocidade de crescimento e no risco de dar metástases cedo. Por isso, toda pinta que "muda", cresce, sangra ou apresenta aspecto diferente deve ser investigada rapidamente.

O que causa o câncer de pele?

A exposição solar inadequada é o fator de risco mais comentado e talvez o mais negligenciado. Conforme dados da Organização Pan-Americana da Saúde, os principais fatores para o desenvolvimento desses tumores são:

  • Exposição excessiva aos raios ultravioleta do sol.
  • Uso de câmaras de bronzeamento artificial.
  • Ter pele, olhos e cabelos claros.
  • Sistema imunológico enfraquecido.
  • Contato prolongado com produtos químicos (arsênico, por exemplo).
  • Radiações ionizantes.
  • Histórico familiar ou pessoal de câncer de pele.
  • Presença de muitas pintas ou lesões pré-existentes.
  • Infecções por certos tipos de vírus ligados a verrugas.

Segundo a OPAS, quem já teve um tumor cutâneo tem 20% mais chance de desenvolver um segundo câncer cutâneo nos dois anos seguintes. Eu, sinceramente, vejo com frequência essa estatística se confirmando na prática.

Pessoa se protegendo do sol na praia com chapéu e filtro solar

Como se prevenir do câncer de pele?

Sempre insisto: prevenir é infinitamente mais leve do que tratar. Hábitos simples, quando inseridos no dia a dia, podem reduzir muito o risco.

  • Evite exposição direta ao sol entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa. Recomendo buscar sombra, usar guarda-sol ou planejar atividades para antes ou depois desse horário. A Fundação do Câncer reforça essa orientação.
  • Use sempre filtros solares com fator de proteção (FPS) a partir de 15, inclusive em dias nublados e mesmo trabalhando em ambientes fechados com muito vidro.
  • Reaplique o protetor solar a cada 2 horas ou imediatamente após sudorese intensa ou banho de mar/piscina.
  • Inclua chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV e roupas de tecidos mais fechados.
  • Lembre das áreas menos lembradas: orelhas, dorso das mãos e dos pés, pescoço e couro cabeludo.

Hábitos como esses não apenas evitam doenças sérias, mas também retardam o envelhecimento e as manchas indesejadas da pele.

O que observar na pele?

A auto-observação é um exercício quase terapêutico e que, na minha opinião, deve virar rotina. Você pode (e deve) se olhar no espelho com curiosidade. O autoexame regular é a melhor maneira de notar alterações precoces.

Eu costumo orientar o uso da regra ABCDE para avaliação de pintas e manchas:

  1. A – Assimetria: Uma metade da lesão é diferente da outra.
  2. B – Bordas: Irregulares, mal definidas ou recortadas.
  3. C – Cor: Variação de tons, como preto, castanho, vermelho ou branco na mesma lesão.
  4. D – Diâmetro: Lesões maiores que 6 milímetros merecem atenção extra, embora melanomas possam ser menores.
  5. E – Evolução: Mudanças ao longo do tempo, como crescimento, sangramento ou coceira.
Se notar algo diferente, procure seu médico sem adiar.

Não há motivo para pânico diante de toda pinta estranha, mas existe motivo de sobra para não ignorar mudanças, principalmente em quem tem pele clara ou histórico familiar.

Diagnóstico: da clínica à confirmação laboratorial

Quando um paciente me procura com dúvida ou lesão suspeita, a primeira etapa é o exame clínico. O olhar atento e experiente identifica características "suspeitas", mas só a confirmação histopatológica esclarece o diagnóstico. A biópsia é o exame padrão-ouro para identificar qualquer tumor cutâneo.

  1. Avaliação clínica: identificação de lesões, análise pelo dermatoscópio, registro fotográfico se necessário.
  2. Biópsia: retirada total ou parcial do tecido alterado para análise em laboratório.
  3. Laudo anatomopatológico: definição exata do tipo de lesão, seu grau de invasão e necessidade de outros exames complementares.

Em alguns pacientes, há indicação de investigar linfonodos ou órgãos internos, especialmente nos melanomas, para definir a extensão da doença e o planejamento terapêutico.

Técnico de laboratório analisando amostra de pele em lâmina de microscópio

De vez em quando, encontro pessoas que têm medo da biópsia "espalhar" o tumor, mas é importante desmistificar: o procedimento é seguro e não aumenta o risco de disseminação. O diagnóstico precoce salva vidas e, principalmente nos casos de melanoma, muda completamente o resultado do tratamento.

Como tratar o câncer de pele?

O tratamento nem sempre é igual para todos. Depende do tipo, tamanho, localização da lesão, extensão e condições de saúde da pessoa. Na maioria das situações, os métodos mais usados são:

  • Cirurgia excisional: Remoção completa da lesão com margem de segurança. É a abordagem preferida para quase todos os casos de carcinoma e melanomas iniciais.
  • Curetagem, eletrocoagulação ou criocirurgia: Alternativas para tumores superficiais e pequenos, muito úteis em áreas sensíveis.
  • Radioterapia: Utilizada quando a cirurgia não é possível ou para situações de tumores avançados/localmente agressivos em pessoas com risco cirúrgico.
  • Imunoterapia e terapias-alvo: Especialmente indicadas nos melanomas metastáticos, revolucionaram o controle da doença avançada.
  • Terapias complementares integradas ao cuidado: Práticas focadas em conforto, alívio dos sintomas e apoio emocional, sempre sob orientação médica.

Vale ressaltar que, na experiência ao lado da Dra. Nayara Zortea Lima, o olhar integral sobre cada paciente faz uma diferença imensa. Uma abordagem que alia rigor científico, escuta ativa e personalização do plano terapêutico contribui para resultados melhores e um enfrentamento mais leve do desafio. O acompanhamento humano, que leva em conta o impacto físico e emocional do diagnóstico, torna a jornada menos pesada e mais segura.

Oncologista em consulta humanizada com paciente e família

Por que o acompanhamento contínuo é indispensável?

O controle não acaba após a cirurgia ou o final do tratamento. O paciente precisa de revisão periódica, tanto para detectar recidivas (retorno da doença) quanto para avaliar novos sinais ou sintomas. Quem já teve câncer de pele ganha uma certa "experiência" em autoconhecimento e deve ser apoiado emocionalmente. O lado psicológico conta muito: dúvidas, inseguranças e medo de novo diagnóstico fazem parte, e não há nada de errado nisso.

Eu sempre incentivo o diálogo aberto durante as consultas e a participação ativa no planejamento terapêutico. O envio de dúvidas, o relato de mudanças e a confiança no vínculo médico-paciente tornam o caminho mais leve. O papel do oncologista – e isso posso afirmar acompanhando o trabalho da Dra. Nayara – é orientar, esclarecer, tranquilizar e caminhar ao lado de quem enfrenta essa jornada.

Conclusão

Proteger a pele é proteger a vida. Praticar a prevenção, identificar lesões precocemente e buscar apoio médico adequado fazem toda a diferença. O câncer de pele não é um destino obrigatório, tampouco precisa ser enfrentado com medo ou culpa.

Em toda minha experiência, presenciei histórias de superação, mas também vi como a falta de informação pode trazer arrependimentos. Por isso, convido você a tomar as rédeas da sua saúde, cuidar da pele e incentivar pessoas próximas a fazer o mesmo.

Se precisar de orientação, esclarecer dúvidas ou buscar um acompanhamento integral, conte com profissionais que priorizam tanto o cuidado técnico quanto o olhar humano. Venha conhecer o trabalho desenvolvido pela Dra. Nayara Zortea Lima: compromisso, ética e acolhimento em cada etapa da prevenção e tratamento do câncer de pele.

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas do câncer de pele?

Os sintomas variam conforme o tipo do tumor, mas geralmente envolvem lesões que não cicatrizam, pintas ou manchas que crescem, mudam de cor ou formato, feridas sangrantes, nódulos avermelhados ou perolados e áreas escuras em regiões antes normais. Qualquer alteração nova ou ferida que não desaparece em semanas merece avaliação detalhada por um médico.

Como identificar sinais de câncer de pele?

O autoexame é um aliado fundamental. Observe pintas e lesões sob a regra ABCDE: assimetria, bordas irregulares, cor heterogênea, diâmetro acima de 6mm e evolução temporal. Se uma lesão sangra ou apresenta coceira persistente, procure avaliação médica rápida. O olhar atento é a melhor ferramenta de cuidado.

Quais os principais tipos de câncer de pele?

Os três principais tipos são o carcinoma basocelular (mais comum e de crescimento lento), carcinoma espinocelular (maior risco de agressividade local) e melanoma (tumor mais grave pela alta possibilidade de dar metástases), como mostram os dados oficiais.

Como prevenir o câncer de pele?

A prevenção se baseia no uso regular de filtro solar, roupas protetoras, óculos escuros e chapéus, assim como evitar exposição ao sol entre 10h e 16h. O acompanhamento regular, autoexame frequente e consulta médica em caso de qualquer alteração suspeita reforçam o cuidado contínuo.

Quando devo procurar um dermatologista?

Procure um especialista ao identificar qualquer lesão persistente, mancha nova, pinta que muda de cor, forma ou tamanho, ferida que sangra ou não cicatriza, ou em casos de histórico familiar da doença. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de cura e menos invasivo é o tratamento.

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Nayara Zortea

Sobre o Autor

Nayara Zortea

Dra. Nayara Zortea Lima é médica oncologista dedicada ao cuidado integral de adultos diagnosticados com câncer. Ela se destaca por sua abordagem humanizada, foco na qualidade de vida e atenção às necessidades individuais de cada paciente. Com experiência em práticas complementares e suporte emocional, Dra. Nayara acredita no acolhimento, na escuta ativa e no diálogo transparente para o desenvolvimento de planos terapêuticos personalizados.

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