Médica oncologista consultando paciente em ambiente acolhedor e iluminado

Quando penso em saúde, logo me vêm à mente as dúvidas e receios que muitos pacientes têm ao ouvir falar sobre câncer, especialmente quando falamos sobre o quadro mamário. No consultório, acompanho de perto os impactos físicos e emocionais desta doença. Conhecer sintomas, meios de prevenção e terapias disponíveis pode trazer mais clareza e, acima de tudo, esperança. Por isso, quero compartilhar informações que, além de baseadas em evidências, também seguem a linha de cuidado humanizado que pratico ao lado de tantas mulheres e homens em busca de orientação.

Entendendo o câncer de mama: o que é e como acontece?

Em linhas simples, o câncer mamário é o crescimento desordenado das células da mama, que podem se multiplicar rápida e incontrolavelmente, formando um tumor. Se não for tratado, pode invadir outros tecidos e órgãos, levando a complicações graves.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, a doença é o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras, representando cerca de 28% de todos os diagnósticos oncológicos no país. Só em 2022, calculou-se aproximadamente 73.610 novos casos. Apesar de raro, homens também podem ser acometidos, com dados de 220 óbitos masculinos registrados em 2021. Essas estatísticas me fazem refletir sobre a necessidade constante de falar abertamente sobre sinais, fatores de risco e cuidados.

Médica examinando seios de paciente em consultório

Principais sintomas e sinais de alerta

Se alguém me perguntasse, agora, o que observar para desconfiar de um tumor de mama, eu responderia que é preciso atenção ao próprio corpo. Nem todo câncer causa dor ou desconforto no início, por isso pequenos sinais podem ser valiosos.

  • Caroço (nódulo) fixo na mama ou axila, geralmente indolor – este é o sintoma mais frequente;
  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecendo 'casca de laranja';
  • Alterações no mamilo, como inversão ou saída de secreções, principalmente quando há sangue;
  • Feridas que não cicatrizam no seio ou ao redor do mamilo;
  • Diferença visível no tamanho ou no formato das mamas.

Outros sintomas podem aparecer, mas estes são os que mais observo nos atendimentos. Vale reforçar – qualquer alteração diferente do habitual deve ser avaliada por um especialista. Muitas vezes, um simples cisto benigno assusta, mas só o exame adequado pode confirmar.

Fatores de risco: o que aumenta a chance de desenvolver a doença?

Em minha experiência, percebo que diversas mulheres sentem culpa ao receber um diagnóstico, acreditando terem "feito algo errado". Na maioria das vezes, porém, não existe um único motivo. Os fatores de risco são variados:

  • Idade: a partir dos 50 anos, o risco é mais elevado, segundo o Ministério da Saúde.
  • Histórico familiar: casos de parentes de primeiro grau, principalmente em idade jovem.
  • Alterações genéticas: mutações em genes como BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco.
  • Menarca precoce (menstruação antes dos 12 anos) ou menopausa tardia (após os 55).
  • Nuliparidade: nunca ter engravidado ou tido filhos.
  • Terapias hormonais por muitos anos.
  • Obesidade e sedentarismo.
  • Consumo de álcool e tabagismo.
  • Exposição a radiações ionizantes na infância ou adolescência.

Uma informação interessante é que, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 17% dos casos de câncer mamário podem ser evitados através de práticas saudáveis, como alimentação balanceada, atividade física e amamentação. Não costumo ver pacientes valorizando o aleitamento materno como proteção, mas ele realmente ajuda (segundo o INCA).

Prevenção passa por cuidar do corpo e respeitar seus limites.

Prevenção: quais hábitos ajudam a reduzir o risco?

Quando penso no que realmente está ao nosso alcance para prevenir a doença, percebo que pequenas atitudes cotidianas fazem diferença.

Mudanças de estilo de vida, ainda que simples, podem contribuir para diminuir o risco.
  • Manter uma rotina ativa, praticando atividade física moderada pelo menos 150 minutos por semana;
  • Evitar o excesso de peso e buscar uma alimentação rica em verduras, frutas e menos processados;
  • Reduzir ou eliminar o álcool;
  • Não fumar;
  • Amamentar sempre que possível;
  • Fazer acompanhamento médico regular, com foco em prevenção e diagnóstico precoce.

Como médica oncologista, consigo perceber o impacto positivo dessas mudanças individuais. Não se trata de uma garantia absoluta, claro, mas são medidas reais, acessíveis e comprovadas por diferentes estudos publicados, entre eles o apontamento do INCA, que reforça esse potencial preventivo.

A importância do diagnóstico precoce

Em minha rotina, vejo claramente que quanto mais cedo a lesão é identificada, maiores são as chances de cura. Isso pode parecer repetitivo, mas precisa ser lembrado: muitos tumores, quando pequenos, ainda não se espalharam e são tratáveis com intervenções menos agressivas.

No entanto, um estudo nacional mostrou que durante a pandemia de COVID-19 houve uma redução significativa nos procedimentos e exames preventivos, como a mamografia. Entre abril e junho de 2020, a queda foi de 45,79%. Essa diminuição impactou diretamente o diagnóstico e, infelizmente, aumentou a quantidade de casos descobertos em estágios avançados (segundo a Revista Brasileira de Cancerologia).

O medo do exame não pode ser maior que o medo da doença avançada.

Rastreamento: mamografia, autoexame e exames complementares

Mamografia

A mamografia é o principal exame de rastreamento e pode detectar lesões antes mesmo de serem palpáveis. No Brasil, recomenda-se que mulheres de 50 a 69 anos façam o exame a cada dois anos. Para grupos de maior risco, como quem tem histórico familiar, pode ser indicado iniciar antes, mas a avaliação deve ser individualizada.

Autoexame das mamas: devo fazer?

Sempre escuto essa pergunta no consultório. O toque das mamas pode ajudar a conhecer o próprio corpo, mas não substitui a mamografia. O objetivo é perceber mudanças – não diagnosticar todos os tumores por conta própria. Se “sentir algo estranho”, não hesite em procurar um médico, mesmo que tenha feito mamografia recentemente.

Exames complementares

Além da mamografia, podem ser solicitados ultrassonografia, ressonância magnética e biópsia, conforme avaliação. O diagnóstico definitivo é sempre feito por exame histopatológico da biópsia, que é quando analisamos as células ao microscópio.

Paciente realizando mamografia em equipamento moderno

Opções de tratamento: avanços e abordagens atuais

Quando recebo um novo diagnóstico, muita gente imediatamente imagina o que vem pela frente em termos de tratamento. Costumo dizer que há diferentes caminhos – e cada um deve ser decidido com atenção, respeito à individualidade e ouvindo os receios do paciente e da família. No projeto que conduzo ao lado de pacientes oncológicos, a escuta ativa é parte de tudo.

Cirurgia

Em muitos casos, a cirurgia é o primeiro passo. Pode ser a retirada parcial (quadrante) ou total (mastectomia) da mama, a depender do tamanho e localização do tumor. Em situações bem selecionadas, reconstrução mamária já pode ser feita no mesmo ato, o que ajuda bastante na autoestima.

Quimioterapia

A quimioterapia utiliza medicamentos para destruir as células doentes ou impedir sua multiplicação. Pode ser indicada antes da cirurgia (para reduzir o tumor), depois (para evitar recidiva) ou quando há doença espalhada. Os efeitos colaterais variam conforme o protocolo, mas, hoje, existem formas mais modernas e menos agressivas. Um fator importante no tratamento – poucas pessoas sabem –, é que nem todos os casos precisam de quimioterapia.

Radioterapia

A radioterapia utiliza radiação localizada para destruir células tumorais remanescentes, geralmente após a cirurgia. É especialmente útil quando há risco de células residuais microscópicas.

Terapia hormonal

Quando o tumor tem receptores hormonais positivos, podemos utilizar medicamentos que bloqueiam a ação destes hormônios, reduzindo o risco de retorno da doença.

Terapias alvo e imunoterapia

Já encontro cada vez mais pessoas interessadas nas terapias-alvo e imunoterapia, que são avanços recentes e, em alguns casos, mudaram completamente o prognóstico de certos subtipos de câncer.

O tratamento deve ser individual, respeitando desejos, limites e expectativas de quem enfrenta o diagnóstico.
Mulher sorridente após tratamento de câncer, com lenço na cabeça

Acompanhamento multidisciplinar e cuidados integrados

O processo não termina com o tratamento. O cuidado ao paciente oncológico inclui apoio psicológico, reabilitação física, orientação nutricional, além de suporte social e familiar. Vejo, todos os dias, o quanto o suporte emocional faz diferença – tanto para quem passa por tudo quanto para quem acompanha de perto.

Dentro do acompanhamento integrado e humanizado, como faço em meu trabalho, os pacientes podem compartilhar angústias, dúvidas e incertezas sem julgamento. O importante é oferecer um ambiente acolhedor, onde cada pessoa é tratada na sua individualidade. Sei que, para muitas mulheres e homens, esta segurança faz toda a diferença, principalmente em meio ao bombardeio de informações que circulam na internet.

Mitos frequentes e dúvidas comuns

Já escutei muitos mitos por aí. Talvez você já tenha ouvido também. Selecionei os principais:

  • Usar sutiã apertado causa câncer? – Não, não há evidência científica para isso.
  • Trauma ou pancada na mama desencadeia tumor? – Traumas não provocam câncer. Se aparecer um nódulo após uma pancada, é coincidência ou uma alteração já existente ficou mais perceptível.
  • Quem tem prótese não pode fazer mamografia? – Pode e deve. Só é necessário informar ao técnico, para cuidados específicos.
  • Homens não desenvolvem câncer mamário? – Embora raro, homens podem sim apresentar a doença.

O medo do desconhecido é natural, mas o acesso à informação de qualidade reduz ansiedade e auxilia no diagnóstico precoce. Com atitudes baseadas em ciência e empatia, também posso dizer que um olhar acolhedor, como o que procuro praticar, torna a jornada menos solitária e pesada.

Grupo de apoio conversando em círculo durante reunião

Resumo final: informação que acolhe e salva

O enfrentamento do câncer mamário envolve dúvidas, medos e escolhas. Ninguém está sozinho nesse caminho – e é possível superá-lo com diagnóstico precoce, tratamento adequado e muita escuta. Se você percebeu algum sinal diferente, converse com profissionais capacitados. Como médica oncologista, reforço: quanto mais cedo o acompanhamento começa, maiores as chances de sucesso, autonomia e qualidade de vida.

Agende sua consulta comigo e conheça de perto um modelo de cuidado atento à sua história, aberto ao diálogo e construído a partir das suas necessidades. Se precisar esclarecer dúvidas, iniciar rastreamento ou buscar apoio para você ou alguém querido, saiba que estou pronta para caminhar ao seu lado, assim como na missão e valores do projeto da Dra. Nayara Zortea Lima.

Perguntas frequentes sobre câncer de mama

Quais são os primeiros sintomas do câncer de mama?

O sintoma mais comum é o aparecimento de um nódulo endurecido e, normalmente, indolor na mama ou na axila. Também podem ocorrer alterações na pele, como vermelhidão, retração ou aspecto de casca de laranja, além de mudanças no mamilo (inversão, saída de secreções) e feridas que não cicatrizam. Perceber qualquer diferença incomum deve motivar uma avaliação médica.

Como posso prevenir o câncer de mama?

Adotar hábitos saudáveis, como praticar atividades físicas regulares, manter peso adequado, evitar bebida alcoólica e não fumar, é importante para reduzir o risco. Amamentar também oferece proteção. A prevenção inclui ainda o acompanhamento médico para rastreamento e diagnóstico precoce, principalmente a partir dos 50 anos.

Quais os tratamentos mais atuais disponíveis?

Atualmente são utilizados cirurgia para retirada do tumor, quimioterapia, radioterapia, terapia hormonal e, em casos indicados, terapias alvo e imunoterapia. A escolha depende das características do tumor e de cada paciente. O acompanhamento multidisciplinar faz parte do cuidado moderno, buscando resultados eficazes e qualidade de vida.

Quando devo procurar um mastologista?

É recomendado buscar avaliação especializada ao perceber qualquer alteração na mama (como nódulos, secreções ou mudanças no formato) ou se fizer parte de algum grupo de risco. Também é importante realizar consultas regulares para rastreamento, mesmo que não haja sintomas.

Câncer de mama tem cura?

Sim. Quando diagnosticado nas fases iniciais, as chances de cura são altas. Mesmo em casos mais avançados, as opções de tratamento evoluíram bastante, trazendo mais controle e qualidade de vida. O acompanhamento contínuo é fundamental para monitorar possíveis recidivas e garantir o cuidado certo em cada etapa.

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Nayara Zortea

Sobre o Autor

Nayara Zortea

Dra. Nayara Zortea Lima é médica oncologista dedicada ao cuidado integral de adultos diagnosticados com câncer. Ela se destaca por sua abordagem humanizada, foco na qualidade de vida e atenção às necessidades individuais de cada paciente. Com experiência em práticas complementares e suporte emocional, Dra. Nayara acredita no acolhimento, na escuta ativa e no diálogo transparente para o desenvolvimento de planos terapêuticos personalizados.

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