Médico analisando imagens de endoscopia em tela de alta resolução

Em minha trajetória como médica oncologista, convivi com muitos pacientes que carregavam dúvidas e temores em torno do câncer de estômago. Embora menos comentado que outros tumores, ele ainda é um dos mais frequentes no Brasil, principalmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer. Aos meus olhos, muitas vezes a falta de informação de qualidade é o que mais pesa sobre quem recebe o diagnóstico. Por isso, quero compartilhar um olhar pessoal, acolhedor e baseado em evidências, mostrando sintomas, diagnóstico e possibilidades de tratamento, além de dicas valiosas para prevenção e cuidado humanizado.

Cuidado atento faz diferença no enfrentamento do câncer gástrico.

O que é o câncer de estômago?

No consultório, percebo como a palavra “câncer” costuma gerar apreensão. Quando o tema é o tumor gástrico, costumo explicar que se refere a um crescimento desordenado de células na parede interna do estômago. Este processo pode ser lento e silencioso, tornando o diagnóstico precoce ainda mais desafiador.

Segundo dados do INCA, tirando os casos de pele não melanoma, o câncer gástrico está entre os primeiros na lista dos mais comuns, principalmente em homens e moradores da Região Sul do país. Essa incidência mais alta está atrelada a alguns comportamentos, características genéticas e fatores ambientais.

Principais tipos de câncer gástrico

Penso que compreender os principais tipos pode ajudar a lidar melhor com o diagnóstico:

  • Adenocarcinoma: É o mais prevalente, responsável por cerca de 90% dos casos. Origina-se das células da mucosa interna do estômago.
  • Linfomas: São menos frequentes, mas surgem no tecido linfático presente no órgão.
  • GIST (tumores estromais gastrointestinais): Mais raros, aparecem a partir das células de sustentação do estômago.
  • Carcinoma de células escamosas e outros tipos ainda mais incomuns.
Médicos analisando endoscopia do estômago em tela de exame gastrointestinal

Principais fatores de risco

Vejo no dia a dia como algumas circunstâncias aumentam a vulnerabilidade ao desenvolvimento do câncer gástrico. Entre os fatores principais, destaco aqueles apontados por estudos nacionais e internacionais, como o do Cadernos de Saúde Pública (Fiocruz):

  • Infecção pelo Helicobacter pylori: Essa bactéria, quando não tratada, pode causar inflamação crônica e aumentar risco de lesões precursoras.
  • Dieta rica em alimentos salgados, defumados ou conservados em sal.
  • Consumo baixo de frutas e vegetais frescos.
  • Tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
  • Obesidade, segundo números destacados pela Fiocruz.
  • Histórico familiar e predisposição genética.
  • Doenças prévias, como gastrite crônica e pólipos estomacais.
  • Idade acima de 50 anos, embora possa surgir antes disso.
Combinações de fatores ambientais e genéticos tornam o risco individual variável.

Quais sintomas merecem atenção?

Se há algo que sempre alerto em meu atendimento, é que os sintomas desse tumor são muitas vezes inespecíficos. Ou seja, podem passar despercebidos ou se confundir com pequenas indisposições.

Os sintomas iniciais mais comuns são:

  • Desconforto ou dor abdominal na região do estômago, especialmente após as refeições.
  • Náuseas e vômitos ocasionais.
  • Perda de apetite.
  • Sensação de estômago “cheio” com pouca comida.
  • Perda de peso inexplicada.
  • Cansaço persistente.

Há casos em que os sinais só aparecem em estágios avançados, como dificuldade para engolir, vômitos com sangue ou presença de fezes escurecidas. Por essa razão, a busca precoce por avaliação médica é fundamental. Sinto que, na prática, pequenas mudanças nos hábitos digestivos costumam ser ignoradas, atrasando o diagnóstico.

Pessoa com a mão no estômago demonstrando dor e desconforto

Como é feito o diagnóstico?

Na minha experiência, diagnosticar o câncer de estômago é um desafio, porque depende da suspeição clínica e depois de exames específicos. A confirmação passa, obrigatoriamente, por biópsia do tecido suspeito identificada pelo exame de endoscopia digestiva alta. Esse exame permite visualizar diretamente o interior do estômago e realizar pequenas retiradas de amostras para análise microscópica.

  • Endoscopia digestiva alta: É o principal exame para visualizar lesões suspeitas.
  • Biópsia: Retirada de fragmentos do tecido para análise anatomopatológica, determinando tipo e grau do tumor.
  • Exames de imagem: Ultrassom, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) para avaliar extensão local e presença de metástases.
  • Exames laboratoriais: Marcadores tumorais, avaliação do sangue e funções orgânicas costumam complementar a investigação.

Faz muita diferença detectar a doença nos primeiros estágios. Quanto mais cedo identificada, maiores as chances de sucesso no tratamento e de preservação da qualidade de vida. No entanto, como mostram estimativas do Ministério da Saúde, a maioria dos casos ainda é diagnosticada tardiamente, especialmente em pessoas acima dos 40 anos.

Exames simples e indolores podem mudar o curso da doença.

Quais são as opções de tratamento?

No acompanhamento de pacientes com câncer de estômago, percebo que o melhor tratamento depende de uma soma de fatores: estágio do tumor, localização, idade, condições clínicas e, claro, preferência individual do paciente. Há avanços cada vez mais robustos nas terapias disponíveis, incluindo técnicas cirúrgicas menos invasivas e medicamentos inovadores.

Abordagem cirúrgica

A cirurgia costuma ser o principal recurso para tumores localizados. O procedimento pode variar de uma retirada parcial a uma gastrectomia total. O objetivo é remover todo o tecido tumoral e, quando necessário, linfonodos próximos. Em casos selecionados, técnicas laparoscópicas ou robóticas estão ganhando espaço e podem proporcionar recuperação mais rápida.

Quimioterapia e radioterapia

Quimioterapia é frequentemente utilizada, seja antes da cirurgia (neoadjuvante) para diminuir o volume do tumor ou depois (adjuvante) para reduzir riscos de recidiva. Em situações de doença avançada, pode ser a principal medida para controlar sintomas e lentificar a evolução. Radioterapia é indicada em alguns casos, normalmente em associação à quimioterapia, ajudando no controle local.

Terapias-alvo e imunoterapia

Segundo matéria do Jornal da USP, estudos brasileiros vêm mostrando o papel promissor de medicamentos que agem diretamente no tumor (terapias-alvo) e da imunoterapia, que estimula o próprio sistema imunológico a combater células doentes. Esses recursos têm mudado a perspectiva de controle para uma parcela dos tumores avançados, principalmente quando associados à abordagem tradicional.

Equipe multidisciplinar de saúde reunida em atendimento a paciente

Cuidados complementares e suporte emocional

Não costumo tratar apenas a doença, mas também acolher a pessoa como um todo. O suporte multidisciplinar é fundamental para lidar com sintomas, efeitos colaterais e sofrimento emocional. Nutrição, fisioterapia, psicologia, cuidados paliativos e intervenções para dor crônica fazem parte do plano em muitas situações.

Sempre digo aos familiares e pacientes: informação clara, acolhimento e escuta são tão valiosos quanto qualquer medicamento.

Como prevenir e reduzir riscos?

Todo profissional de saúde sabe que prevenir é sempre menos sofrido do que tratar. Na minha prática, vejo resultados visíveis entre quem faz escolhas saudáveis e adota o acompanhamento regular.

  • Tratar precocemente infecções por Helicobacter pylori quando diagnosticadas.
  • Reduzir consumo de alimentos processados, salgados ou defumados. Preferir frutas e verduras frescas.
  • Evitar tabagismo e consumo abusivo de álcool.
  • Manter peso saudável e praticar exercícios regulares.
  • Realizar acompanhamento, especialmente quem possui histórico familiar.
  • Buscar ajuda médica diante de sintomas persistentes.

Segundo a Fiocruz, a obesidade está entre os fatores de risco que vêm crescendo nos casos recentes no país, somando-se à já expressiva estatística de cerca de 21 mil novos diagnósticos por ano.

O acompanhamento humanizado faz diferença

Quando me apresento como Dra. Nayara Zortea Lima, enfatizo que cada paciente tem sua história, ritmo e necessidades próprias. A escuta e o diálogo são parte indissociável do cuidado oncológico, especialmente quando lidamos com doenças como essa. Orientar decisões conjuntas, responder às dúvidas, acolher angústias e compartilhar avanços é um processo contínuo. Em minha atuação, sinto que essa postura fortalece não só o paciente, mas toda a família nos momentos de enfrentamento.

Conclusão

O câncer de estômago ainda é um desafio relevante para a saúde pública e para o cuidado individualizado. Percebo diariamente como o diagnóstico precoce e o acesso a informações de qualidade mudam o curso da história de vida das pessoas afetadas. Mantenha hábitos saudáveis, preste atenção aos sinais do seu corpo, busque avaliação médica diante de sintomas persistentes e priorize um acompanhamento humanizado e especializado. Se você, um familiar ou alguém próximo tiver dúvidas ou precisar de orientação personalizada, convido para conhecer o trabalho feito com dedicação, acolhimento e ética, como preconizamos no projeto Dra. Nayara Zortea Lima. O cuidado começa pelo primeiro passo: a escuta.

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas do câncer de estômago?

Os sintomas mais comuns incluem dor ou desconforto abdominal, sensação de estômago cheio com pouca comida, perda de apetite, náuseas, vômitos ocasionais e perda de peso sem explicação. Sinais em estágio avançado podem envolver dificuldade para engolir, vômitos escuros ou com sangue e fezes muito escuras. É importante lembrar que nem todos os sintomas se apresentam ao mesmo tempo e podem ser confundidos com problemas gastrointestinais comuns.

Como é feito o diagnóstico dessa doença?

O diagnóstico do câncer de estômago depende da realização da endoscopia digestiva alta, exame que permite visualizar e coletar tecido para biópsia. Outros exames, como tomografia ou ultrassom, ajudam a avaliar a extensão da doença. Exames laboratoriais costumam ser usados para complementar as informações.

Quais os principais fatores de risco?

Destaco como fatores de risco mais relevantes: infecção por Helicobacter pylori, dieta rica em alimentos processados e pobres em vegetais, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, histórico familiar de câncer gástrico e idade mais avançada. Doenças gástricas prévias também aumentam essa vulnerabilidade.

Quais tratamentos existem para câncer de estômago?

O principal tratamento é cirúrgico, podendo ser parcial ou total. Muitas vezes, quimioterapia e radioterapia são indicadas em associação, dependendo do estágio da doença. Para casos avançados, as terapias-alvo e imunoterapia vêm trazendo novas possibilidades, assim como o suporte multidisciplinar para aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Câncer de estômago tem cura?

Quando detectado nos estágios iniciais, o câncer gástrico pode ser curado. No entanto, boa parte dos casos ainda é diagnosticada tarde, reduzindo essa possibilidade. Mesmo assim, o tratamento adequado e o cuidado humanizado proporcionam melhor controle da doença e qualidade de vida. Sempre recomendo buscar avaliação precoce e acompanhamento individualizado.

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Nayara Zortea

Sobre o Autor

Nayara Zortea

Dra. Nayara Zortea Lima é médica oncologista dedicada ao cuidado integral de adultos diagnosticados com câncer. Ela se destaca por sua abordagem humanizada, foco na qualidade de vida e atenção às necessidades individuais de cada paciente. Com experiência em práticas complementares e suporte emocional, Dra. Nayara acredita no acolhimento, na escuta ativa e no diálogo transparente para o desenvolvimento de planos terapêuticos personalizados.

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